Ribeirão Bonito - A ONG Amarribo surgiu em 1999, por iniciativa de quatro “filhos†de Ribeirão Bonito que já não moram mais lá, mas que queriam fazer algo pelo bem da cidade. Apesar de terem construído suas carreiras profissionais e pessoais longe de Ribeirão, eles guardavam as boas lembranças da infância na cidade.
Para Antoninho Marmo Trevisan, um dos fundadores da entidade, o amor à cidade foi o que motivou a criação da ONG. “Amarribo, na verdade, significa amar Ribeirão Bonitoâ€, explica.
Segundo Trevisan, os fundadores da ONG perceberam que a cidade estava “abandonadaâ€, e que os jovens não tinham muitas perspectivas. “Nós começamos a discutir também sobre o que nos levou a ser o que somos, pessoas que trilharam um caminho de sucesso. Concluímos que nós havíamos feito um belíssimo Grupo Escolar; nós fizemos um primário bem-feitoâ€, afirma Trevisan.
Com a criação da Amarribo, ficou definido pelo estatuto que os objetivos principais da ONG eram zelar pelo acompanhamento do orçamento da prefeitura e prezar pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, além de ações de preservação da história e integração da comunidade. “A idéia era transferir para a cidade uma nova energia, um novo gásâ€, conta Trevisan.
À associação se uniram ex-moradores de Ribeirão Bonito, líderes comunitários, religiosos e empresários. Entre as ações concretizadas, a primeira foi a recuperação do morro do Bom Jesus, ponto turístico da cidade, que recebeu verbas estaduais através de iniciativa da ONG. A Amarribo também está empenhada na construção de um Centro Cultural e conseguiu, em junho passado, a concessão de uma rádio comunitária.
Para os membros da Amarribo, que pretendiam um trabalho de “várias mãos†junto com a prefeitura, a surpresa veio no fim do ano passado, quando um dos membros da ONG, a advogada Laurília Ruiz de Toledo Veiga Alquezar, recebeu um envelope anônimo em seu escritório, contendo denúncias detalhadas sobre supostas irregularidades na gestão do prefeito Antonio Sérgio Mello Buzzá (PMDB).
Em seguida, investigando as acusações, por vezes com recursos bancados pelos próprios membros, chegou-se à instauração de uma Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal. “A grande ação foi a articulação com a comunidade local; aí então, de forma transparente, fomos explicando para as lideranças o que estava acontecendoâ€, ressalta Trevisan, que prevê a cassação de Buzzá até maio deste ano.
Na opinião de Laurília, que se tornou advogada da ONG, se a Amarribo não existisse, as irregularidades na administração de Ribeirão Bonito - confirmadas depois pelo TCE - talvez não teriam vindo a público, e os moradores não teriam se mobilizado.