09 de julho de 2026
Regional

Greve paralisa hospital de Assis

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Assis - Funcionários do Hospital Regional de Assis completaram ontem dois dias de greve. Eles estão protestando contra medidas adotadas pelo novo diretor da instituição, Gilson Caleman, empossado há menos de dois meses. Entre elas, estaria o aumento da carga horária de trabalho para os funcionários do setor administrativo.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde (SindSaúde), Gervásio Foganholi, cerca de 80% dos 840 empregados da instituição aderiram ao movimento. “Estamos mantendo apenas atendimentos de urgência e emergência para não prejudicar muito a população”, disse.

Um dos principais motivos da paralisação é o aumento da carga horária de 30 para 40 horas semanais para os funcionários da área administrativa, instituído a partir de 1 de abril, por Caleman. Foganholi diz que um acordo firmado há sete anos, de maneira informal, com o então governador de São Paulo, Mário Covas, garantia aos funcionários do Hospital Regional a jornada de 30 horas semanais. “A primeira coisa que ele (Caleman) fez ao assumir foi modificar o horário de trabalho do pessoal administrativo”, salienta o sindicalista.

Segundo ele, o acordo é legítimo e foi reconhecido na época pelo governador do Estado. “O sindicato tem isso gravado em fita. Era apenas uma questão de dias para legalizar a situação”, diz Foganholi.

O diretor do hospital não reconhece o acordo. Segundo ele, a legislação diz que os trabalhadores têm de cumprir jornada de 40 horas semanais. “Eu estou apenas cumprindo o que a lei determina. Se existe esse acordo, o sindicato tem de apresentá-lo de forma legal, assinado no papel”, salienta.

Ele também não confirma que a greve tenha atingido 80% do quadro funcional. “Apenas 21% dos funcionários aderiram à paralisação”, destaca.

De acordo com o diretor do Hospital, se a greve for considerada ilegal, os funcionários que participaram do movimento poderão sofrer processo administrativo. “A Secretaria deve pedir a ilegalidade da greve”, destaca.

Foganholi alega que a diretoria do SindSaúde não está conseguindo negociar esse e outros pontos da legislação trabalhista com Caleman. “Ele está intransigente e não quer nos ouvir”, diz.

Por isso, ontem os sindicalistas reuniram-se em São Paulo para buscar uma solução. Como o hospital pertence ao Estado, eles agendaram uma reunião com a Coordenadoria de Saúde do Interior - órgão da Secretária da Saúde do Estado - para apresentar a situação. “Já que é impossível conversar com Caleman, nós vamos cobrar uma posição da Secretaria”, diz Foganholi.

Transição

Desde o ano 2000, está sendo discutida a transferência da gerência do Hospital Regional de Assis para a Faculdade de Medicina de Marília (Famema). O convênio ainda não foi assinado, mas a indicação de Caleman para o cargo de diretor geral do hospital já faz parte do período de transição dessa situação.

Caleman destaca que está fazendo alguns ajustes no hospital para que ele possa ser um centro de referência para a população. “Eu já tenho um projeto pronto para a instituição, que já foi inclusive apresentado para a Secretaria (de Saúde do Estado)”, frisa.

A diretora-executiva do SindSaúde, Maria Aparecida de Faria, acusa Caleman de ter criado um clima de terror no hospital. Ele rebate, dizendo que está apenas cumprindo a legislação. “Se eu não fizer esses ajustes, eu cometo crime de prevaricação. Isso não é intransigência como eles dizem, é obrigação”.