11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mau planejamento faz calote crescer 50% no comércio

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

No mês passado, a quantidade de nomes incluídos no cadastro de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru aumentou 50% em relação a março de 2001. Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo César Cafeo, entre as principais causas está o reflexo da falta de planejamento orçamentário para as despesas de início de ano, como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar dos filhos.

De acordo com o levantamento do SPC, foram efetuados 5.828 registros de consumidores junto ao órgão em março, contra 3.883 no mesmo período do ano passado.

“Esse crescimento de 50% é grave. Trata-se do reflexo da inadimplência registrada em janeiro e fevereiro, quando existem diversos compromissos financeiros para os quais as pessoas acabam deixando de se programar. Isso faz com que o cidadão não tenha condições de quitar todos os seus débitos”, avalia Cafeo.

De acordo com ele, essa situação também é agravada pelos pagamentos que ainda estariam sendo feitos em relação a compras de Natal. Quanto mais débitos pendentes, maior a dificuldade de honrar com todos os compromissos.

Em fevereiro deste ano foram efetuados 4.260 registros no cadastro do órgão, ou seja, 36,8% a menos que no mês passado.

Apesar do crescimento acentuado dos registros, em março foram retirados 2.733 nomes da lista do SPC. Isso significa uma diferença positiva de 11,4% sobre o volume de igual período do ano passado, quando houve 2.452 cancelamentos.

“Isso pode significar que algumas pessoas estão abrindo mão de contrair novas dívidas e se preocupando em limpar o nome junto ao SPC”, observa o economista.

Em fevereiro deste ano foram excluídos 2.238 nomes do cadastro de inadimplentes.

Em relação às consultas realizadas por lojistas junto ao órgão de proteção ao crédito, em março somaram 37.028. O volume é 24,87% menor que o total registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram efetuadas 49.286 consultas.

“O comércio passou por uma situação ruim em março, já que a quantidade de consultas mostra o nível de atividades do setor. Essa queda de 24% é bastante significativa. Isso pode ser o indicativo de que as pessoas estariam mais comedidas em relação ao consumo, o que pode ser reflexo do racionamento de energia, que estimulou a economia em diversas áreas”, analisa Cafeo.

Na comparação com fevereiro deste ano, quando foram feitas 33.692 consultas, a diferença é de 9,9%. Segundo o delegado do Corecon, basicamente esse resultado se deve ao fato de fevereiro ser um mês mais curto e de férias, quando muitas pessoas viajam e deixam de injetar dinheiro no comércio local.

De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Nunes Carvalho, as expectativas são positivas em relação à retomada de atividades a partir deste mês.

“Fevereiro e março nunca foram meses bons para o comércio em geral. A partir deste mês, tenho certeza de que o quadro terá alterações positivas”, afirma.

Na avaliação dele, os resultados dos próximos meses poderão superar os de igual período do ano passado.

Economia fraca

De acordo com Cafeo, todos os resultados negativos dos últimos meses registrados pelo SPC - com aumento do número de registros, baixa quantidade de cancelamentos e queda no nível de atividades do comércio - são reflexo do insatisfatório crescimento econômico do País.

O ano passado fechou com crescimento em torno de 1,5% sobre 2000. Para o primeiro semestre deste ano, segundo o economista a estimativa é de chegar a 2,2% acima do mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, a projeção é para alcançar cerca de 4%. Se isso ocorrer, o crescimento médio sobre 2001 ficará na faixa de 2,5%.

Contudo, para a situação econômica do País ter uma melhora aparente, esse aumento deveria ficar no patamar de 5%, neste ano. Um dos principais reflexos disso poderá ser o tímido aumento de empregos formais com carteira assinada, enquanto que a informalidade continuaria alta. Tudo isso dificulta a estabilidade financeira da população.