10 de julho de 2026
Bairros

Depredação inviabiliza novas praças

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A depredação e o depósito de lixo e entulho em praças e áreas verdes de Bauru têm tornado-se tão freqüente que já prejudicam a urbanização de novos espaços de lazer. O dinheiro que poderia ser empregado na urbanização de áreas reservadas para praças está sendo usado para recuperar estragos. Entre a noite de anteontem e manhã de ontem, o alvo dos vândalos foi o Bosque da Comunidade do Jardim Dona Sarah: o vaso sanitário de um dos banheiros foi quebrado; o latão de lixo reciclado revirado, a saboneteira e o porta-toalhas, furtados. Os vândalos ainda tentaram arrombar a sala onde fica aparelho de som e de ginástica.

A verba mensal destinada pela prefeitura à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) para obras e manutenção tem sido gasta quase que integralmente para recuperar os estragos dos vândalos, segundo Luiz Pires, titular da pasta. “Recebemos entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por mês para investimentos. Ao invés de usarmos esse dinheiro para urbanização de praças, gastamos na recuperação de estragos”, lamenta. Ontem pela manhã, a Semma teve que consertar o sanitário quebrado no bosque da Comunidade.

Bauru tem 120 praças urbanizadas e outras 160 áreas reservadas para áreas verdes, que continuam como terrenos baldios por falta de dinheiro para fazer a jardinagem e colocar bancos. Indignado, Luiz Pires reclama que os ataques às áreas verdes ocorrem em locais habitados, mas os moradores não denunciam os vândalos. “O que nos impressiona é que ninguém sabe de nada, ninguém vê nada. É um descaso com a coisa pública. Se fosse em propriedade particular, com certeza seria diferente”, afirma.

Além do vandalismo, que inclui a quebra de bancos e luminárias das áreas públicas entre outros objetos, Pires conta que outro sério problema da Semma é o despejo de lixo e entulho em locais indevidos. “Há poucos dias retiramos 15 camihões lotados de entulho do Bosque da Comunidade do Parque União. Quando os funcionários voltaram, para fazer a poda das árvores, encontraram entulho esparramando pelo bosque outra vez”, diz.

O bosque do Parque União ainda está em fase de urbanização. No local, a Semma colocou uma placa informando que é proibido depositar lixo e entulho, mesmo assim não consegue fazer a população mudar de comportamento. O depósito de lixo e entulho em local indevido é proibido por lei municipal, passível de multa de R$ 574,00.

Anteontem, a equipe da Semma trabalhou na limpeza de um terreno na quadra 3 da rua Cristiano Pagani, ao lado do Parque das Camélias, que é destinado a um bosque. O serviço seria concluído no dia seguinte, mas vândalos acabaram sendo mais rápido, segundo Pires. “Como não houve tempo de remover a grama e os galhos de árvore cortados, o material foi amontoado e deixado lá para ser recolhido no dia seguinte. À noite, alguém colocou fogo em tudo, quase queimando as árvores já grandes”, conta.

A Semma, de acordo com Pires, tem recebido um número grande de reclamações por causa de depósito lixo em praças, o que não era para ocorrer já que a coleta é feita em toda a cidade. “Outro dia recebi uma reclamação do Jardim Redentor de que os próprios moradores estavam jogando lixo em uma praça do bairro. O curioso é que a praça havia sido limpa há uma semana”, ressalta, completando que reclamações desse tipo são diárias.

O titular da Semma chama a atenção para o fato da maioria dos atos de vandalismo a praças e áreas verdes ser gratuita. “O pior é que esses atos de vandalismo não são feitos por pessoas que buscam uma forma de conseguir dinheiro. Quase nunca é levado algo que possa ser vendido e resulte em dinheiro. É vandalismo pelo próprio vandalismo”, frisa.

De acordo com Luiz Pires, a Semma conta apenas com 12 funcionários para fazer a manutenção das praças. Por conta das depredações e despejo de lixo em áreas públicas, a equipe não está vencendo fazer o serviço a tempo, segundo ele.