09 de julho de 2026
Bairros

Vários bairros têm duas associações

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O Parque Santa Edwirges não será o primeiro bairro de Bauru a ter duas entidades de defesa dos moradores. O Núcleo Mary Dota, por exemplo, conta com a associação de mutuários e a associação de amigos. Situação semelhante ocorre no Núcleo Édson Francisco da Silva (Bauru 16), que tem uma associação de moradores e uma associação de amigos e mutuários, explica o engenheiro Celso Donizeti, que atuou frente à Secretaria das Administrações Regionais (Sear) por mais de três anos.

Já no Parque Jaraguá existem duas associações de moradores, mas cada uma cuida de uma região do bairro: uma na parte baixa e outra na parte alta do bairro. A Sear é o órgão público competente para cadastrar todas as associações de moradores ou socidade de amigos de bairro em Bauru.

De acordo com Donizeti, existem na cidade aproximadamente cem entidades de defesa dos moradores, mas boa parte não é atuante ou não está legalizada. Mas ele ressalta que há casos de que as duas entidades do bairro são atuantes.

Na opinião de Donizeti, ser presidente de uma entidade de bairro é uma forma de obter prestígio junto à população e de aproximar-se do poder político, muitas vezes com o objetivo de obter benefícios particulares. Mas ela ressalta que várias entidades têm a interferência direta de grupos ou partidos políticos. “No período que ficamos na Sear observamos que os partidos estimulam a fundação de entidades para estar presente no bairro”, diz.

Essa ligação política pode ser prejudicial aos moradores porque tira a credibilidade da entidade, diz Donizeti. “Acho que a associação tem que ser independente. Se os membros têm ligação política, isso não pode ser levado para a entidade porque o morador observa”, diz.

Mas para Donizeti, o pior problema enfrentado pelas entidades que representam os moradores são os interesses pessoais da diretoria. Sem citar nomes, ele conta que quando era titular da Sear recebeu propostas, por parte de presidentes de associações de moradores, de apoio em troca de cargos. “Teve casos de presidentes de associações de moradores, que eram servidores municipais, que pediram um cargo melhor e em troca garantiriam que o bairro iria parar de criticar a administração”, conta.