11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Queda de faturamento preocupa lojistas

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As expectativas de estabilização, no mínimo, e de possível crescimento das vendas no comércio de Bauru neste ano, em relação ao ano passado, foram derrubadas durante o primeiro trimestre de 2002. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Garroux Sampaio, a queda do faturamento estaria mais acentuada do que nos anos anteriores.

De acordo com ele, no momento o sindicato não possui dados oficiais sobre o desempenho comercial na cidade. Contudo, afirma que estaria equiparado ao resultado da Capital paulista, que em março registrou queda em torno de 10% no faturamento em relação ao mesmo período de 2001. No primeiro trimestre, a redução teria sido de 7% sobre o ano passado.

“Esses números são maiores do que os registrados em anos anteriores. Pelas informações que temos, o desempenho em Bauru seria semelhante ao de São Paulo, se não for pior”, diz Sampaio.

Para ele, a situação atual teria causas em níveis nacional e local. A retração do quadro econômico no País seria a causa principal.

“As exportações brasileiras caíram e as importações diminuíram muito mais. Importação menor significa que menos insumos para a produção nacional. Outro ponto é que o setor privado tem respondido pela queda da inflação, mas no setor público são registrados aumentos constantes”, observa o presidente do SinComércio.

Justificando a afirmação, ele cita que, em uma semana, houve aumento da tarifa de energia elétrica, do preço do petróleo e do gás de cozinha.

O aumento da carga tributária também é alegado por Sampaio como agravante para o quadro econômico do País, que tem reflexos diretos no comércio.

“Mensalmente, o governo anuncia recordes de arrecadação. Há sete anos, o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) que era repassado ao Estado de São Paulo era de 26%. Hoje, estaria entre 32% e 33%. Ou seja, durante um período de recessão, a carga tributária aumentou demais. Não há como ter boas expectativas para a economia neste ano”, diz.

Em relação a Bauru, Sampaio aponta a característica da classe média ser composta, predominantemente, por funcionários públicos, que estão sem reajuste salarial há sete anos. A situação ocasiona reflexos diretos no comércio, já que a população tem registrado quedas constantes do poder aquisitivo.

“Enquanto os salários permanecem iguais, os preços de todos os produtos e serviços, públicos ou não, aumentam. Então, sobra cada vez menos dinheiro para investir no consumo”, ressalta.

Demissões

O momento difícil obriga as empresas a reduzirem custos, o que se reflete em enxugamento do quadro de pessoal. Segundo o diretor do Sindicato dos Comerciários, Antônio Pereira de Lima, de janeiro até anteontem teriam sido registradas 670 homologações de funcionários com um ano ou mais de trabalho no comércio local.

No mesmo período do ano passado, esse número teria sido de 520 demissões, numa diferença de 28,84% em relação a 2002.

Para Sampaio, é urgente a necessidade de se encontrar novas saídas locais para o aquecimento das vendas e desenvolvimento dos mais diversos setores de atividade econômica.

“O modelo de crescimento de Bauru, baseado no setor público, se exauriu. É preciso buscar novas saídas para que a cidade não entre numa situação de estagnação maior do que a média estadual. O novo aeroporto pode ser responsável pela criação de um novo pólo industrial na cidade, a partir da atração de empresas interessadas no transporte de cargas, por exemplo”, aponta Sampaio.