09 de julho de 2026
Regional

Americana luta contra a hanseníase

(*) Kesi Adria
| Tempo de leitura: 3 min

Americana – A cidade entrou na luta nacional pela erradicação da hanseníase e controle da tuberculose. São doenças com chances de cura, mas que precisam ser identificadas em estágio inicial para o sucesso do tratamento. Por isso, uma palestra para esclarecimento de dúvidas foi agendada para dia 10, às 14 horas, no auditório do Hospital André Luiz, no bairro Cordenonsi.

Lideranças religiosas e comunitárias, assistentes sociais, representantes de escolas, indústrias e a população em geral são os convidados da equipe do Núcleo de Educação para a Saúde (Neps), que organiza o evento. O coordenador dos programas de saúde do adulto, Hamilton Konishi, vai abordar sobre tuberculose. A enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Ethel Lacava, falará sobre hanseníase.

A educadora de saúde pública, Lígia Marta Jorge, informou que os participantes receberão material ilustrativo sobre as doenças que poderão ser usados para ajudar o Poder Público a combater efetivamente essas duas patologias. “O que falta é mais informação sobre os sinais e os sintomas dessas duas doenças. E a população tem que conhecer e reconhecer esses sinais para poder sair em busca de ajuda”, afirmou Lígia.

O médico Hamilton Konishi explicou que a rede municipal de saúde oferece ambulatórios especiais na Policlínica para tratamento de tuberculose e hanseníase, capacitados para dar ao paciente todos os meios necessários para a cura, inclusive com medicamentos gratuitos.

Campanha

A iniciativa de controle dessas doenças é do governo federal através do Plano Nacional de Mobilização e Intensificação das Ações para Eliminação da Hanseníase e Controle da Tuberculose, lançado em 18 de março e com ações integradas até maio. A Secretaria Estadual também aderiu ao programa e no período de 22 a 26 deste mês pretende envolver a sociedade com mais informações sobre as doenças.

Americana, por sua vez, também contribuirá chamando lideranças comunitárias para colaborar na identificação de novos casos. “Precisamos que a população seja nossa divulgadora das informações para que a doença seja identificada e tratada com todos os recursos gratuitos”, enfatizou Hamilton. E ele acrescentou: “Como são doenças sociais, não tendo o envolvimento da sociedade ficará difícil implantar a prevenção”.

Casos novos ainda são diagnosticados

Os casos de hanseníase não param de surgir anualmente. A situação de tuberculose é ainda mais alarmante. Durante um fórum mundial de saúde, o Brasil assumiu o compromisso de erradicar a hanseníase até 2005, por isso a preocupação em popularizar as informações sobre a doença. São 600 mil casos por ano no mundo, 80 mil somente no Brasil, que ocupa o 2º lugar em todo Planeta, perdendo somente para a Índia.

Americana registrou em 2000, 21 novos casos de hanseníase e, no ano passado, foram 16. O ambulatório da Policlínica tem em torno de 29 pacientes este ano em tratamento, que dura de seis meses a dois anos, dependendo do tipo de contaminação. A questão da tuberculose é grave também, já que são oito milhões de pessoas adoecendo por ano no mundo e três mil mortes confirmadas. No Brasil, são 90 mil notificações anuais, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o número chegue a 130 mil doentes, porque muitos não procuram ajuda médica.

No Estado de São Paulo são de 17 mil a 18 mil novos casos por ano e existem em torno de cinco mil doentes que ainda não descobriram que estão infectados e transmitindo tuberculose. Em Americana foram 31 casos em tratamento em 2000, mais 47 em 2001 e somente neste ano o número de ocorrências é de 26 doentes.

A forma mais freqüente de tuberculose aqui - o equivalente a 90% - é a pulmonar, comum na idade adulta e em homens. O tratamento dura seis meses e o índice de cura pode chegar a 100%. “Todos os pacientes do nosso ambulatório têm acompanhamento permanente, assim como as pessoas que convivem com o doente também”, afirmou o coordenador dos programas de saúde do adulto, Hamilton Konishi.

(*) Especial para o JC