10 de julho de 2026
Regional

Empresa tenta parceria com a China para fábrica de US$ 5 bi

(*) Eric Fujita
| Tempo de leitura: 2 min

A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) poderá fechar uma parceria com o governo chinês para a implantação de uma fábrica na China para a montagem de 300 aeronaves ERJ 145. O negócio está avaliado em US$ 5,25 bilhões. A proposta é que a nova unidade seja implantada por meio de uma associação (joint venture) entre a companhia brasileira e a empresa estatal de aviação daquele país. A parceria está sendo negociada por um grupo de executivos da Embraer. Eles compõem uma comitiva com 100 empresários brasileiros de diversos setores em visita à China desde a última quarta-feira, liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral. Além de buscar acordos no ramo da aviação, a visita visa firmar contratos de exportação de outros produtos, como alimentos e café.

A Embaixada chinesa, em Brasília, informou que o fechamento da joint venture dependerá do resultado das negociações entre a Embraer e o governo, em andamento desde antes da visita da comitiva brasileira. Segundo a Embaixada, os pontos do acordo poderão ser modificados conforme as conversações forem avançando entre as duas partes. A assessoria de imprensa da Embraer informou que o grupo de executivos da companhia tem intenções de fechar negócios com o governo chinês. A empresa, no entanto, não detalhou como estão as negociações em torno da implantação da fábrica naquele país. Caso a joint venture seja firmada, a montagem de 300 aeronaves ERJ 145 -para 50 passageiros- deverá ocorrer na fábrica a ser instalada na região da Manchuria, na China. Os pontos do contrato estão sendo negociados desde o início do ano passado, após várias reuniões entre as partes. A previsão da Embraer é firmar o acordo até o primeiro semestre deste ano.

A fabricação aconteceria em duas etapas. Na primeira fase, apenas o interior dos aviões seria feito na China e, na segunda etapa, os funcionários começariam a fazer a junção de todas as partes dos jatos. O fornecimento de todas as peças da aeronave, fabricadas em São José dos Campos, ficaria a cargo da Embraer. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos Marco Antônio Ribeiro disse que a abertura de uma fábrica na China poderá ter reflexos negativos na unidade da cidade. Para ele, existe a possibilidade de haver mais demissões no município porque parte da produção seria transferida para a China. “Essa montagem poderia ser feita aqui em São José dos Campos para gerar mais empregos e evitar quebradeira das fornecedoras da Embraer. Defendemos a abertura de mais postos de trabalho em qualquer outro país, desde que não acarrete em problemas aqui.”

(*) São José dos Campos