Li no JC nos Bairros de 04/04 duas reportagens dignas de atenção e preocupação. A primeira, onde o senhor Luiz Pires, responsável pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) de Bauru, relata sua indignação pelo vandalismo de irresponsáveis que destroem o patrimônio público, jogam lixo nas praças e ateiam fogo sem a mínima preocupação pela conseqüência de seus atos. A outra, falando de uma cidadã que vem “brigando†por causa de destinação imprópria do lixo pelos seus vizinhos e prometendo fotografar para identificar os infratores. Parabéns, dona Vilma. Que bom seria se tivéssemos mais donas Vilmas na cidade. Não importa se sua indignação vem do fato de ter a casa invadida por insetos. O importante é que de alguma forma está cumprindo seu papel de cidadã e atendendo ao princípio constitucional que diz que não só o Poder Público, mas toda sociedad, é responsável pela preservação de um meio ambiente equilibrado e saudável para a presente e futuras gerações.
O mundo está sendo destruído pelo descaso para com o meio ambiente. A ganância e a desinformação estão destruindo nossos campos, poluindo nossos rios e o ar, acabando com as reservas de água e com os animais.
Nas cidades, o caos está instalado: a impermeabilização sem controle causando enchentes; indústrias preocupadas apenas com lucro imediato lançam no ar e nas águas os restos de seu descaso; nos muros, a identificação criminosa dos pichadores; novos loteamentos aparecem eliminando reservas florestais; e os menos favorecidos são empurrados para áreas não edificáveis em inúmeros loteamentos clandestinos.
O senhor Pires tem razão. O Poder Público não tem pessoal suficiente para controlar toda cidade, em função da falta de consciência de seus habitantes. Apelo a todas as donas Vilmas que se juntem para denunciar e punir os irresponsáveis. Há muita gente insatisfeita, mas que se cala e se isola. Como disse José Renato Nalini em seu livro Ética Ambiental, “o isolacionismo, mantenedor da inércia, a nada conduz e favorece a atuação dos grupos predispostos ao mal coletivo.†Filiem-se a associações, criem entidades, o importante é reverter este quadro.
O clima já está denunciando a derrubada inconseqüente das matas e as queimadas freqüentes. A escassez da água é realidade sentida. Que mundo queremos deixar para nossos filhos? Vamos juntar forças para salvar este nosso já tão degradado planeta. E que tal começarmos por Bauru? (Maria Helena Beltrame, OAB-SP 78599 – membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB-Bauru)