11 de julho de 2026
Geral

Contaminados por chumbo vão ser atendidos pela Unesp de Botucatu

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O Departamento de Saúde Coletiva anunciou, ontem, que as crianças com alta concentração de chumbo no organismo, já submetidas a exames, serão atendidas e acompanhadas pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. A consulta, para diagnóstico, está marcada para amanhã.

Em altas concentrações, o chumbo, assim como qualquer metal pesado, pode interferir em todos os processos biológicos. A intoxicação por chumbo tem sido associada à baixa estatura nas crianças. Nas grávidas, o chumbo atravessa a barreira placentária causando anomalias congênitas.

Graças à terapia de quelação, a mortalidade atualmente é de cerca de 5% dos contaminados, embora 25% dos sobreviventes desenvolvam lesão cerebral permanente.

No início de fevereiro, a pedido da Cetesb, os órgãos de saúde coletaram sangue de 30 crianças da região do Tangarás entre 2 e 7 anos. Quatro delas apresentaram valores de chumbo no sangue acima de 10 microgramas por 100 milímetros de sangue, índice limite de exposição.

Após constatar a contaminação de quatro das 30 crianças analisadas em fevereiro, as secretarias municipal e estadual de Saúde ampliaram a área de pesquisa para um raio aproximado de 1.000 metros da fábrica. Porém, estão sendo analisadas apenas as crianças de até 12 anos. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, os adultos serão examinados posteriormente caso as crianças estejam contaminadas.

Até o momento, segundo o DSC, foram coletados sangue de 90 crianças. O órgão de saúde informa que os exames ainda estão em andamento, mas o caseiro Ademir Donizete dos Santos, que trabalha na Estância Três Irmãos, vizinha à fábrica, conta que foi informado, ontem, que dois dos seus três filhos estão contaminados por chumbo.

Morando há cinco anos na propriedade rural, ele também recebeu a notícia com surpresa, mas conta que há muito tempo sentia um odor forte vindo da direção da fábrica de baterias. Sobre seus filhos, ele diz que não observou nenhum problema de saúde que pudesse ser relacionado ao chumbo. “As doenças que tiveram foram as comuns de criança mesmo”, afirma.

Mas ele lembra que alguns animais, principalmente filhotes de carneiro, morriam com freqüência de causa desconhecida. Reginaldo dos Santos Sales, caseiro da Chácara Bighetti, também desconfia que a freqüente morte de galinhas sem causa aparente esteja ligada à proximidade com a fábrica de baterias. Foram coletadas amostras de água da região da fábrica, que apresentaram resultado normal.