Todo ano o Congresso Nacional e o Governo Federal promovem uma acalorada e infrutífera discussão a respeito do salário mínimo do povão. Após exaustivas discussões e dezenas de desculpas esfarrapadas o valor de reajuste é fixado, mantendo-o abaixo de U$ 100 .
O governo alega que se reajustar o SM para um patamar que permita o cidadão viver com dignidade, a Previdência iria à bancarrota. Entretanto, ano após ano o dinheiro público é desviado em obras superfaturadas como o prédio do TRT-SP, em verbas a fundo perdido para Sudam, Sudene, DNER e outros órgãos que consomem milhões de reais em corrupção e desperdício. Além do mais, a previdência jamais se esforçou para receber dos grandes devedores, dos clubes de futebol e de quem rouba nosso dinheiro em falcatruas e quando preso não devolve aos cofres da previdência o que lesou do erário. Vide Georgina e tantos outros que estão com muito dinheiro em contas de paraísos fiscais. Existe outro buraco negro por onde vazam milhões de dólares anualmente, é o dinheiro jogado fora em publicidade oficial. Segundo números do próprio Tesouro Nacional, em 2001 o governo federal torrou a bagatela de R$ 303 milhões com publicidade em horário nobre de rádio, televisão e espaço em jornais e revistas de grande circulação nacional. Entre os Ministérios, o que mais gastou foi o da Saúde, então ocupado pelo candidato José Serra. Estranho é que enquanto dezenas de pessoas morrem de dengue hemorrágica, e milhares contraem a doença sem que nada seja feito pelo mesmo Ministério da Saúde, o povo assiste as propagandas milionárias na televisão, enaltecendo esse ou aquele programa de bolsa esmola, bolsa isso e bolsa aquilo. Pena que não tenha o bolsa repelente para acabar com o Aedes aegypti.
Quando se trata de verba para programas sociais, o governo se desdobra em explicações técnicas para justificar a impossibilidade do atendimento por problemas orçamentários. Entretanto, o obscuro Ministério do Esporte e Turismo gastou 1.070,59% acima do que lhe foi autorizado pelo orçamento da União. É preciso repudiar esse enxame de propagandas desnecessárias que somos obrigados a engolir. Ao invés de soluções para os muitos problemas que afligem o cidadão, dá-lhe propaganda. Ao invés de Planejamento e Programas Políticos Consistentes, dá-lhe propaganda. Ao invés de salários dignos e investimentos em infra-estrutura, dá-lhe propaganda. Em outubro, ao invés de voto em candidato do governo, dê-lhes o troco com muita propaganda para os amigos e familiares. (Rafael Moia Filho)