Morreu na madrugada de sábado o pintor florentino radicado em Bauru Vittorio Cuttin, aos 84 anos. Ele foi enterrado na tarde do mesmo dia.
Cuttin sofria problemas de saúde desde uma operação na próstata, realizada em 1997.
O artista plástico, de estilo clássico, dizia preferir pintar as “coisas eternas da naturezaâ€. “Quem nunca se impressionou com um pôr-do-solâ€, disse certa vez em entrevista ao JC Cultura.
Na ocasião, Cuttin afirmou: “Que outro artista, senão Deus, pintaria o mundo com tamanha perfeição. Por que a água tão azul do mar bate nas pedras e fica branca numa transformação imediata? O que seria do mar se não houvesse a espuma? Seria um tédio. É como se o céu também não tivesse nuvensâ€.
Vittorio Cuttin nasceu em Florença, na Itália, em 24 de Janeiro de 1918. A Europa estava destruída pela Primeira Grande Guerra. Seus pais se mudaram de Trieste, de domínio do então império Austro-húngaro, fugindo dos últimos combates. Após o término da guerra, Cuttin retornou com a família para Trieste, onde acabou se formando professor primário aos 20 anos.
Mal se formou, Cuttin foi convocado para lutar na Segunda Gerra Mundial, em 1939. Ficou dois anos na Iugoslávia e chegou a ser internado num hospital, traumatizado pelas as lutas nos campos de batalha.
Com a vitória dos Aliados, Vittorio Cuttin voltou à Itália em 1945, como tenente, e decidiu estudar desenho e pintura, seu antigo desejo de infância.
Dois anos depois, cansado da miséria que assolava a Europa na época, mudou-se para a Argentina.
Depois veio para Santos, onde morou por 26 anos. Mais tarde, com filhos, decidiu se mudar para o Interior, em Campinas. Problemas respiratórios o fez procurar ares melhores, o que o fez chegar em Bauru. Viúvo de Priscilla Kerr Nogueira Cuttin, deixou os filhos Stela e Ricardo.