08 de julho de 2026
Turismo

Roteiros da f

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Não é preciso sair do País, indo a Roma, Fátima, Santiago de Compostela, Leisieux, ou aos templos sagrados da Terra Santa, para que os brasileiros expressem sua fé aos santos da igreja católica. Colonizado por portugueses, o Brasil é, em essência, católico por natureza.

Por todo este vasto “continente” existem templos de referência que atraem milhares de peregrinos em busca de milagres, bençãos ou agradecimentos.

O Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, no Vale Paraibano, é o campeão de visitas, mas outros centros, como a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador, e espetáculos ao ar livre como a encenação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém e o Círio de Nazaré, concentram também grandes multidões.

A grande atração do momento vem sendo Nova Trento, em Santa Catarina, cidade distante 60 quilômetros de Balneário Camboriú e 75 de Florianópolis, que abriga o Santuário de Madre Paulina, a única santa brasileira recentemente beatificada.

O número de peregrinos cresceu tanto, que o Governo do Estado de Santa Catarina está anunciando a construção de um novo santuário, com capacidade para 6.500 pessoas. Embora tenha nascido na Itália, Madre Paulina passou quase toda sua vida no Brasil, cuidando de doentes, muitos portadores de câncer. Morreu aos 77 anos, já com fama de santa, com base em relatos de milagres reconhecidos por peritos, médicos, teólogos e cardeais da Congregação para a Causa dos Santos. Evocada por portadores de câncer, o dia de Madre Paulina, é celebrado todos os anos no segundo domingo do mês de julho.

Peregrinação

Don Eugênio Sales, que foi arcebispo do Rio de Janeiro, explica que o turismo religioso não é propriamente uma excursão nem um passeio, mas uma viagem inspirada pela fé, que toma o nome de peregrinação. “A fé afirma que Deus manifestou-se e manifesta-se em certos lugares, aí derramando copiosas graças de ordem espiritual como também de índole material (curas de doenças, paralisias, êxito em determinado empreendimento)”.

Na Bíblia, há relatos de que o “povo de Deus” sabia disso e desde o Antigo Testamento peregrinava aos santuários sagrados. Esse costume prosseguiu em cidades consideradas especiais como Roma, Santiago de Compostela, Assis, Ávila, Lourdes, Fátima e Aparecida.

“Quem peregrina procura Deus”, detalha o arcebispo, lembrando que isso não ocorre somente entre pessoas simples. Os intelectuais, caso do filósofo francês René Descartes, querendo agradecer a Deus a descoberta do “Penso, logo existo”, fez a peregrinação de Nossa Senhora do Loreto e ajoelhou-se muito devotamente no mesmo lugar em que, anos antes, se ajoelhara o filósofo Montaigne.”