11 de julho de 2026
Política

Caixa Econômica Federal atesta insolvência da Cohab

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O superintendente da Caixa Econômica Federal (CEF) na região, Miguel Sampaio Jr., informou, ontem, que o banco vai executar a Companhia de Habitação Popular (Cohab) pelo não pagamento de créditos de R$ 8 milhões. A afirmação foi feita durante a reunião pública que discutiu o perigo de insolvência da companhia, ontem, na Câmara Municipal.

Durante o encontro, diferentes segmentos locais abordaram os problemas da Cohab-Bauru. Uma comissão vai aprofundar o tema e avaliar qual a solução para a incapacidade da empresa de honrar seus compromissos. O superintendente da CEF disse que a execução só foi suspensa para o encontro de ontem, mas que as ações administrativas serão retomadas nos próximos dias.

Além de não ter recursos para pagar os R$ 8 milhões devidos à CEF, a companhia vem dando calote de R$ 420 mil mensais no seguro dos núcleos habitacionais. A Cohab cobra, todo mês, R$ 3,4 milhões dos mutuários, mas vem conseguindo receber só R$ 2,2 milhões. A receita não cobre todas as despesas. A direção não vem conseguindo arcar com os R$ 1,9 milhão junto à CEF e ainda mantém um custo de R$ 500 mil/mês. “Não temos como deixar de executar a Cohab. Isso será feito nos próximos dias. A CEF é um órgão e tem que cobrar seus devedores”, cita Sampaio.

Decisão dura

Miguel Sampaio Jr. avalia a situação da Cohab como extremamente difícil. “A inadimplência da CEF também já atingiu patamares muito altos. Neste caso não adianta, o remédio não pode ser aspirina. A solução é dura e tem que ser rápida. Não contem com a CEF se a solução for para poupar alguém. É o dinheiro público que está em jogo e não outros interesses”, adverte.

O superintendente deixou claro que uma das medidas necessárias é a redução do quadro de pessoal. “Nós cortamos milhares de vagas e sabemos que isso é duro. Mas não há como resolver se a medida não for tomada. Também não terá nenhum sentido sentar para discutir uma saída se não for pelo menos aceita a possibilidade de extinção da Cohab”, aponta.

Sampaio não gostou da fórmula de apresentação da contabilidade da Cohab na reunião de ontem. “Não adianta lançar inadimplência para dizer que dá para salvar a dívida, porque são créditos podres. Embora seja contábil é dinheiro que não entra na Cohab e sem dinheiro não há como pagar a conta. A Cohab tem milhões reais em créditos por inadimplência. A CEF cortou muitos empregados e não só alguns. Estamos em um Titanic e não dá para esperar”, afirma.

Para o representante da CEF, antes de qualquer medida, a Cohab tem reduzir drasticamente seus custos. “A Cohab não tem receita para suportar suas despesas. É insuportável a inadimplência de 60%. Tem que cortar custos. Se não pagar não tem jeito. Quer discutir vamos discutir. Mas tem que cortar custos”, menciona. Sampaio ainda questionou porque a direção da companhia não se habilitou para a transferência de créditos para o Governo Federal. “A Cohab não participou do programa”, finaliza.

O presidente da Cohab, Constante Mogioni, ficou visivelmente sem jeito quando foi lhe perguntado sobre as ações tomadas pela companhia do Rio Grande do Sul (RS). Lá, a empresa tinha cerca de 953 funcionários e ficou com aproximadamente 60. Aqui, apesar de ter reduzido o quadro, a Cohab mantém 111 funcionários para administrar uma inadimplência que, só em 2001, atingiu R$ 16 milhões.