08 de julho de 2026
Geral

Chumbo contamina mais 22 crianças

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Mais 22 crianças que moram nas proximidades da fábrica de baterias Acumuladores Ajax, que fica nas margens da rodovia Bauru-Jaú, estão com alta concentração de chumbo no organismo. Agora, são 26 crianças contaminadas pelo metal, com mais de 10 microgramas de chumbo por decilitro de sangue, limite tolerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Elas serão encaminhadas para atendimento médico, para avaliar se precisam ou não ser submetidas a tratamento medicamentoso, como já ocorreu com as quatro primeiras crianças que apresentaram alteração no nível de concentração do metal no organismo. A informação é do diretor técnico substituto da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, que estuda a possibilidade dessas crianças serem atendidas em Bauru por médicos neuropediatras da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

A fábrica de baterias está interditada desde o final de janeiro, quando a Agência de Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) constatou a presença de chumbo no ar, solo e água em análises feitas nas proximidades da empresa. Análises de leite, ovo e hortelã coletados em chácaras vizinhas à indústria revelaram contaminação por chumbo. Já os demais cinco alimentos analisados pelo Instituto Adolfo Lutz e a água de um córrego próximo não apresentaram alteração.

As quatro primeiras crianças foram atendidas em Botucatu, anteontem, numa avaliação médica preliminar, e deverão retornar na segunda-feira. “Estamos, junto com a Secretaria Municipal de Saúde e com a Unesp, estudando a possibilidade de instalar em Bauru um posto avançado de neuropediatria, para não precisarmos levar essas crianças a Botucatu”, conta Viviani.

Ele lembra que mais pessoas estão sendo submetidas a exame para verificar a concentração de chumbo. “Já coletamos material de 122 crianças de até 12 anos. Desse total, nos retornou 30 exames, dos quais 22 apresentaram alteração”, frisa. As quatro crianças foram atendidas pela neuropediatra Niura Moura Ribeiro Badula. A médica explica que está iniciando a avaliação para verificar se as crianças têm alguma alteração neurológica.

Dependendo desse resultado é que a médica definirá ou não por receitar tratamento medicamentoso. “A princípio, pelo nível de concentração de chumbo, acho que não é preciso o tratamento medicamentoso, que tem efeitos colaterais. Mas isso depende da avaliação neurológica”, conta.

Novas análises

A Cetesb deve coletar, em breve, amostras de solo nas proximidades da fábrica de baterias para verificar se está ou não contaminado por chumbo. A DIR-10 solicitou ao órgão ambiental a coleta de amostras de solo em cerca de 20 pontos diferentes, de acordo com Affonso Viviani.

As secretarias municipal e estadual de Saúde aguardam esses laudos para orientar os moradores sobre a necessidade ou não de sair das propriedades próximas à fábrica. No início da semana, quando foi constatada a contaminação do leite, ovo e hortelã de duas chácaras, técnicos da Saúde orientaram os moradores a sacrificar as aves, para evitar o consumo dos ovos e da carne, e a suspender o uso do leite e da hortelã.

Objetivando ratificar os resultados dos primeiros exames, a DIR fez nova coleta de alimentos produzidos nas propriedades rurais próximas à Ajax. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) analisou a água dos três poços localizados na região (no Núcleo Bauru 25, Núcleo Otávio Rasi e Parque Santa Therezinha) e não encontrou nenhuma alteração.