Não são muitos os pais que podem bater efusivamente no peito, jactando-se de serem muito eficientes quanto à educação dos filhos, tanto que, talvez ironicamente, prometem os analistas que podem até dar um doce, gostoso doce, àqueles que cheguem a ver os belos rebentos, depois de adultos, como praticantes dedicados do estilo educacional que receberam com todo carinho. Por que a coisa é assim difícil, a ponto de nem sempre papai e mamãe conseguirem realizar o sonho de observarem que as crianças cresceram e pautam em suas atuais atitudes exatamente, expressamente, tudo o que de bom lhes foi ensinado?
É difícil, sumamente difícil, detectar o motivo ou razão do “fracasso†total ou parcial dos bem-intencionados genitores, pois estes, não obstante os esforços que fazem, anos e anos, tendo em mira ensinar à menina as melhores pistas humanas e sociais, acabam se perdendo totalmente na sua atividade de educadores especiais. Há até filhos que, lá em cima do grande topo da vida, acabam achando que o que lhes foi ensinado na infância nada mais é que coisa acabada de um “mundo que não existe†e até discutem acirradamente porquê nestes longos milênios a civilização universal se transformou em tudo, perdeu-se na estrada tortuosa dos homens e das coisas e tomou os rumos que fizeram com que ela se tornasse naquilo com que não contavam os pais, os quais, por isso, estão hoje preferindo mil vezes errar mais por falta de rigor do que por excesso dele, tristemente. Vivem procurando descobrir rumos melhores que façam com que a educação infantil seja mais eficiente. Mas, quase não chegam lá, como o atestam os seres que não foram inteligentemente preparados para a realidade do amanhã. Pensam meninos e meninas de hoje que, se vão ser amados e tolerados de qualquer jeito pelos que lhes deram a vida, por que andarem direitinho, nos trilhos, não fugindo da escola, não esmurrando impiedosamente os coleguinhas e, ao invés de acolherem respeitosamente os conselhos dos adultos, passarem a aprender o uso de drogas que acenam com felicidade fácil e ininterrupta? Desde muito estão com a palavra devidamente corretiva tanto papai como mamãe, os quais, voltando-se para o “mundo prometidoâ€, não podem permitir que os menores cresçam indiferentes ao que o futuro terá de gerar para a humanidade em termos de princípios morais mínimos, diga-se de respeito total aos pais, irmãos, demais familiares e, naturalmente, às instituições e à sociedade no seu todo. Seria assim que os remédios contra a violência humana poderão começar a curar as tragédias dos novos tempos. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado