A perfeição estética está ligada à magreza exagerada. As imagens veiculadas pela mídia influenciam no conceito que as adolescentes têm de seus corpos. Tanto a anorexia quanto a bulimia estão relacionadas com pressões sociais que valorizam excessivamente a magreza. O uso da comida e o controle do peso são um meio de lidar com crises de desenvolvimento e angústia emocional.
De acordo com a psicóloga Eglê Allegro, o maior objetivo do ser humano e sua necessidade básica é ser amado, amar e ter esse amor aceito.
“Quando isso não acontece, ele passa a se desviar desse objetivo e então começa a trabalhar demais, querer muito dinheiro, ter títulos, concluindo que não é capaz de lidar com pessoas e passa então a lidar com coisas, a se anestesiar (uso de álcool, drogas) e pode desenvolver doenças como a bulimia e a anorexia, por exemploâ€, diz.
Conflitos
Ela explica que a anorexia e a bulimia fazem com que a auto-estima do paciente dependa obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso, de acordo com Eglê, é vista como uma conquista notável e o ganho de quilos como um inaceitável fracasso de autocontrole.
Para ela, fatores como envolvimento da criança em tensões familiares, pais ausentes e mães que competem com as filhas são vistos mais como mantenedores do comportamento do que como causadores. “A maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, como a depressão, por exemploâ€, afirma.
Sintomas
A psicóloga conta que os sintomas mais comuns em pacientes anoréxicas e bulímicas são humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia, interesse diminuído pelo sexo, sentimento de inutilidade, forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional demasiadamente refreadas.
As pacientes com bulimia, conta Eglê, se envergonham de seus problemas alimentares e procuram ocultar seus sintomas. “As compulsões geralmente ocorrem em segredo ou dissimuladas tanto quanto possívelâ€.
Causas
A psicóloga explica que pouco se conhece ainda a respeito desses distúrbios alimentares, mas para ela, as causas são múltiplas, incluindo aspectos socioculturais, psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.
Como fatores desencadeantes ou mantenedores da bulimia, destaca-se o distúrbio da interação familiar, eventos estressantes relacionados à sexualidade e formação da identidade pessoal, além da influência da mídia nos padrões de beleza e estética.
Eglê diz que a psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte do paciente. Porém, ainda de acordo com a psicóloga, não se deve deixar de considerar que a psicofarmacoterapia é também indispensável.