As adolescentes são o principal alvo da anorexia e da bulimia. As doenças atingem meninas de 11 anos a 20 anos. Dificilmente aparece uma paciente na idade adulta.
De acordo com a nutricionista Rosane Pilot Pessa Ribeiro, a incidência no Brasil é de uma doente para cada 250 jovens. Na população em geral, esse número cai para um paciente em cada 100 mil pessoas.
Isso, de acordo com os especialistas consultados, ocorre porque a mídia influencia essas meninas que ainda estão formando uma personalidade. Com o apelo existente em relação aos padrões de beleza, as garotas se sentem na “obrigação†de ficar magras para ser interessantes diante da sociedade onde vivem. As adolescentes se comparam com exemplos perfeitos de estética física que estão cada vez mais magros, abaixo do peso considerado saudável.
Para se adequar a esses padrões, as meninas fazem dietas e deixam de consumir alguns grupos de alimentos que, nas quantidades certas, são essenciais para a saúde. A partir daí, tornam-se bulímicas com facilidade.
A bulimia é a ingestão de alimentos variáveis, principalmente calóricos em um curto espaço de tempo e, em seguida, a indução do vômito, e o uso de laxantes e diuréticos com a intenção de tirar a “culpa†de ter comido muito.
Muitas adolescentes aprendem a fazer isso com as amigas. Umas falam para as outras que é uma maneira de controlar o peso, tornando-se parte da rotina de cada uma delas.
Rosane, que é voluntária do Ambulatório de Distúrbios de Conduta Alimentar do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, conta que desde 1982, quando se iniciou esse trabalho no ambulatório, já foram atendidas 100 pacientes.
Ela explica que as bulímicas comem muito e todos os tipos de alimentos. Por outro lado, as anoréxicas evitam os alimentos calóricos, ou seja, os gordurosos e os doces.
Para se conseguir efeito no tratamento, é preciso incluir os alimentos na rotina das doentes com muita calma. “No início do tratamento, nós não podemos sugerir uma dieta alimentar que inclua alimentos gordurosos e doces. Então, iniciamos com mais verduras, frutas, tudo o que é light, diet, que é o que elas preferem e, aos poucos, vamos incluindo outros alimentos e explicando a importância daquele alimento no organismo. Quando ela começa a se alimentar melhor, então vamos mudando a dietaâ€.
Ela relata que é comum dar preferência para aqueles alimentos que a paciente aceita com mais facilidade e que, normalmente, a garota evita se tratar porque acredita que não tem nenhuma doença. Se o tratamento for muito “pesadoâ€, ela vai rejeitar.
Rosane, que também é professora/doutora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, lembra que, para alguns casos, são receitados suplementos, mas sempre com a cautela de não afastar a paciente. “Nós temos que conquistar a confiança dela e ir explicando o que está acontecendo e ir introduzindo tudo aos poucosâ€, diz. Ela diz que, primeiramente, o tratamento se dá dessa maneira, via oral e com paciência para fazer com que a menina aceite que está doente e precisa se curar. Quando esse processo não dá resultado, a internação é inevitável e os nutrientes necessários podem ser administrados por outros meios.
A nutricionista ressalta que o tratamento, geralmente, leva, no mínimo dois anos. As doentes ainda são acompanhadas durante algum tempo depois que recebem a alta médica. As terapias e o acompanhamento nutricional podem durar toda uma vida, dependendo de cada caso.