09 de julho de 2026
Regional

Servidores treinam para melhor atender jauense

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - Aplicar ao setor público as técnicas que funcionam nas empresas privadas. Esta é a base do projeto Melhorando, uma proposta da Prefeitura de Jaú para tentar melhorar o atendimento à população que procura o serviço público municipal - e que precisa dele diariamente.

“O conceito do funcionalismo público, no geral, é de pessoas sem motivação”, expõe Carlos Augusto Moretto, secretário da Administração e um dos “fundadores” do projeto.

A idéia de aplicar conceitos da administração de grandes empresas à “coisa pública” partiu do prefeito João Sanzovo Neto (PDT), que é dono de uma rede de supermercados na cidade. Numa primeira etapa, as aulas - que começaram na semana passada - estão sendo direcionadas aos funcionários que tratam diretamente com o público, como telefonistas e recepcionistas.

Na opinião da psicóloga Margareth Camargo Sorani, coordenadora do projeto, não basta apenas ensinar que se deve sorrir ou ser cortês com as pessoas que procuram os serviços da prefeitura. Para a psicóloga, reverter a idéia de que o serviço público é ruim e demonstrar ao servidor qual é a sua “missão” são metas ainda mais importantes. “O número de reclamações (por parte da população) é grande. No serviço público, é universal esse conceito de que se atende mal”, ressalta.

Nas aulas, funcionários de diferentes secretarias e vários escalões se reúnem para discutir, entre outras coisas, motivação, qualificação e até a própria estrutura do poder público, a qual, muitas vezes, desconhecem como funciona.

Segundo Margareth, os encontros são baseados em dinâmica de grupo, o que favorece a interação entre os funcionários e faz com que a “reciclagem” não seja algo visto como cansativo. A psicóloga conta que as aulas já estão dando resultado até na vida pessoal do servidor. “Eles (os participantes do curso) acabam levando os assuntos para casa, para o relacionamento familiar, relacionamento afetivo, com a sogra, com os filhos”, relata.

Abrangência

O projeto Melhorando pretende atingir, a princípio, 300 funcionários, divididos em grupos de 20 pesssoas para encontros semanais de duas horas. O curso deve se estender por cinco semanas, com aulas no Espaço Pedagógico da prefeitura.

Segundo Moretto, o objetivo é treinar todos os 2.270 servidores das 16 secretarias do município. A melhoria no atendimento, no entanto, não se restringe apenas aos funcionários que têm contato direto com o público. “Nós temos até secretários (municipais) fazendo parte do projeto”, revela.

O projeto também pretende traçar um perfil de quem procura o serviço público, quantas pessoas vão à prefeitura diariamente e que assuntos vão lá tratar. Segundo o secretário, a Prefeitura de Jaú tem 147 anos e ainda não possui histórico ou estatísticas desse tipo.

Moradores estão satisfeitos

A maioria dos moradores de Jaú ouvidos pelo JC dizem que não tem muito a reclamar do atendimento nos órgãos municipais. Eles ressaltam, no entanto, que toda iniciativa tomada para melhorar a situação da população no contato com a administração pública é bem recebida. “Se é bom para melhorar a cidade, ótimo”, afirma o comerciário Celso Martins.

Para o vendedor Osmar Alves, o projeto de “reciclagem” do funcionalismo público não deveria se restringir apenas a Jaú. “Eu acho que devia melhorar não só na prefeitura, devia melhorar no Brasil”, declara.

Funcionários aprovam a experiência

Alguns dos primeiros funcionários da Prefeitura de Jaú a participar dos encontros do projeto Melhorando aprovaram a iniciativa e o modo com que as aulas são conduzidas.

“Gostei bastante da aula, não é como aquelas palestras que dão vontade de dormir”, diz a técnica desportiva Joana d’Arc Rosa, 28 anos. “Fui com uma expectativa e voltei com outra”, resume.

Sua colega da Secretaria de Esportes, Recreação e Lazer, Ednéia de Souza Morales, 26 anos, conta que até guardou em sua mesa um texto lido durante o curso. â€œÉ uma mensagem que a gente recebeu, que dizia ‘floresça onde está plantado’”, conta.

A secretária de Moretto, Caroline Escanuela Góes, 21 anos, relata uma curiosa experiência ocorrida durante a aula - e que deve se repetir por muitas vezes no decorrer do projeto. “Durante o encontro, na hora da apresentação, conheci uma pessoa que eu converso diariamente por telefone, mas nunca tinha visto pessoalmente”, relata.

Quanto a reclamações por parte da população, as servidoras dizem que, muitas vezes, chegam ao balcão de atendimento pessoas que já passaram por diversas secretarias e ainda não receberam a orientação adequada.

Segundo elas, problemas desse tipo são os mais freqüentes - e os mais fáceis de resolver. “Às vezes a pessoa já chega sem paciência e ainda com o problema; o que ela quer é só a solução”, resume Caroline.