“Por mais interessante que seja o tema, que seja o palestrante, é cansativo ficar olhando duas horas para a mesma pessoaâ€, justifica a publicitária, atriz e diretora de teatro paulistana Bruna Gasgon, que há cinco anos atua como consultora de recursos humanos dando palestras sobre temas relativos ao mundo empresarial usando encenações. A consultora sentiu a tendência das palestras-show se aproximando ainda nos anos 90. “Naquela época as empresas começaram a contratar atores para darem cursos de desinibição para os seus funcionários que precisavam dar palestras ou representar a empresa foraâ€, conta. O sucesso das aulas lhe mostrou o quanto era viável apresentar qualquer tipo de tema de maneira não-convencional. “As empresas gostaram, foram encomendando palestras sobre outros temas e eu abri uma empresaâ€, explica.
Hoje, Gasgon realiza performances sobre todos os tipos de assuntos comuns ao dia-a-dia de uma empresa, do relacionamento interno dos funcionários às técnicas de venda. Além disso, desenvolve palestras com temas específicos de acordo com a necessidade da empresa. Seus clientes vão de microempresas, de uma dúzia de funcionários à grandes multinacionais. “Já fiz apresentações para 2 mil pessoasâ€, lembra.
Melhor aproveitamento
Na opinião da consultora, uma das grandes vantagens das apresentações não-convencionais é que a pessoa que está assistindo a palestra se diverte ao mesmo tempo em que adquire uma informação que vai melhorar sua vida profissional. Para o empregador também é vantajoso. “Às vezes a empresa quer passar algo para o funcionário mas tem medo de colocar isso diretamente para ele, então eu passo a informação na apresentaçãoâ€, aponta Gasgon. Para ela, o distanciamento faz com que o funcionário consiga captar a mensagem sem achar que a empresa está puxando sua orelha. “Ele vai aprender a se criticar, se corrigir, sem se melindrarâ€, explica.
As psicólogas Cassiane Poiato Gaffo, Karina Furlanetto, Michela Kauffmann Pires e Danielle Ferrarezzi, que desenvolvem o projeto Psicoart, de assessoria em desenvolvimento humano para empresas, escolas e instituições com o uso de técnicas teatrais para a exposição dos temas, apontam ainda outra vantagem de se usar a encenação em palestras, a percepção visual. Numa palestra convencional, a pessoa se limita a ouvir um palestrante que quase não se movimenta ou se altera, então sua percepção é quase exclusivamente auditiva. Quando há uma encenação há o estímulo visual, há uma historinha a seguir, o que facilita a memorização e o entendimento do tema. â€œÉ mais fácil das pessoas assimilarem as idéias. O público se projeta no personagem e assim fica mais fácil dele ‘participar’â€, diz Gaffo.
O grupo, que desenvolve as encenações de acordo com a necessidade do cliente, além de ter algumas palestras-show prontas com temas mais comuns como 5S, qualidade total e liderança, surgiu justamente por acreditar que as empresas atualmente querem formas inovadoras de levar informações e conhecimento para os seus funcionários. Assim como Bruna Gasgon, as quatro psicólogas também acabam tomando parte nas encenações, além de criá-las com a ajuda do teatrólogo Munir Zalaf. “Viramos atrizes tambémâ€, brinca Gaffo.
Para a psicóloga Regina Maria Vidotti o uso de encenações em palestras é positivo para sensibilizar as pessoas e passar uma idéia geral sobre um conteúdo, de um modo lúdico, mais leve do que em uma palestra comum. “As pessoas realmente compreendem as coisas com mais facilidadeâ€, diz. Vidotti salienta, porém, que a técnica não seria a mais apropriada para um programa constante, de educação continuada em uma empresa. “O ideal não é um curso todo com o teatro, apenas um início de projeto, uma palestra para desenvolver um tema e sensibilizar as pessoasâ€, afirma.
Mágica
O designer e professor do curso de Publicidade da Universidade do Sagrado Coração André Luiz Petraglia desde 1999 dá palestras-show, nas quais faz uso de encenações. O que o torna diferente dos outros que atuam na mesma área é o uso de truques mágicos durante suas apresentações. “Comecei a mexer com mágica ainda na juventude e utilizo até hoje em algumas das minhas apresentaçõesâ€, conta.
O que o motivou a criar a palestra “Atitude Criativaâ€, que possui quatro formatos predeterminados - nos quais há maior ênfase no lado lúdico ou no científico, de acordo com o desejo do cliente, que também sugere o tema central a ser abordado - foi idéia era unir palestra e espetáculo para fugir da monotonia das apresentações. “Normalmente você paga R$ 25,00 ou R$ 30,00 para assistir uma palestra de uma hora para que a pessoa fique passando dados de uma maneira que não dê nem para anotar. Eu prefiro comprar o livro da pessoa. Se a pessoa não passa a mensagem que eu possa fixar de maneira diferente não tem o interesse de assistirâ€, declara.
Na opinião de Petraglia, em palestras comuns as pessoas vão embora com a impressão de que ouviram uma porção de informações mas que só conseguiram captar 10 ou 15% do conteúdo.
“As pessoas têm que sair da palestra com a impressão de que assistiram um bom filmeâ€, afirma o professor. Para Petraglia, o objetivo da sua palestra-show é aumentar o nível de fixação da mensagem. “Isso acontece porque se associa uma idéia teórica, a uma brincadeira inesquecível porque está associada a uma piada, um elemento visual muito forte. É uma maneira mais fácil e agradável de guardar a informaçãoâ€, diz.