11 de julho de 2026
Bairros

'Gigantes' inativos têm destino incerto

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Para o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, o abandono de empresas é o mais preocupante, pois a área desocupada é muito grande. “São lugares onde foram investidos milhões no passado e que não despertam interesse comercial agora. Alguns até são arrendados parcialmente e subutilizados. Outros permanecem fechados e vão ficando lá”, observa.

As instalações da antiga Indústria Matarazzo, que fabricava tecidos, na Vila Cardia, está fechada há cerca de 30 anos. Parte dos barracões conserva a bonita fachada - marca registrada do grupo empresarial que foi um verdadeiro império no passado. Mas alguns galpões começaram a apresentar problemas recentemente, como a soltura de telhas, que “voavam” sobre quintais vizinhos.

As reclamações levaram os atuais proprietários a providenciar, nesta semana, a demolição das edificações mais prejudicadas. A reportagem, porém, não conseguiu localizá-los para saber qual a provável destinação da área.

De acordo com vizinhos, até a semana passada, o local era vistoriado regularmente por um morador do bairro, que impedia o acesso de estranhos e expulsava invasores. A comunidade ao redor das instalações informa que o vigia mudou-se e teme pela segurança do bairro.

A poucos metros dali, outra empresa desativada - a Antárctica - tem tirado o sono dos munícipes. A área tem um lado voltado para a linha férrea e tem sido constantemente invadida por ladrões.

“Eles entram pelo lado dos trilhos e pulam para dentro dos nossos quintais. Levam televisão, aparelhos de som, de telefone e outros eletrodomésticos. Várias casas já foram furtadas e durante o dia mesmo. A gente já está com medo até de lavar roupa no quintal e ser surpreendida”, comenta a dona de casa Iracema Rodrigues.

Outras três empresas citadas por Brito são os antigos armazéns e silos da Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e da extinta Anderson Clayton. Os silos chegam a ter a altura de edifícios com 10 a 15 andares e as empresas foram desativadas há décadas.

“São construções que custaram milhões no passado e hoje são usadas para outras funções”, alerta Brito. Na Ceagesp e no IBC, os antigos armazéns foram transformados em escritórios ou depósitos. Já o silo Anderson Clayton permanece abandonado. Hoje, a melhor utilização dada à “torre” é a prática de rapel (modalidade esportiva de escalada).

Destinação

A secretária municipal do Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano, comenta que algumas destas áreas até são colocadas à venda, mas não é qualquer investidor que vai instalar-se ali. De acordo com a Defesa Civil, só a área do IBC tem quase dez alqueires.

“São galpões, barracões e silos enormes, de custo altíssimo. A gente perde de vista, tamanha extensão. A gente nem imagina que finalidade dar para todos estes imóveis desativados”, ressalta Rigitano.

Além do preço, são terrenos localizados no meio da cidade. A Antárctica, por exemplo, faz divisa com os trilhos, por um lado, e com a avenida Nações Unidas por outro, num ponto de estrangulamento da água pluvial, onde os alagamentos são freqüentes.

Cabe ao poder público, portanto, cuidar para que a destinação do lugar seja para uma atividade compatível com a área urbana, considerando-se o fluxo do trânsito, a segurança dos cidadãos, as condições do terreno e vários outros itens.