Taí mais um ano eleitoral! Já é possível observarmos os prés disso e daquilo aquecendo suas turbinas. Alguns chamam a atenção: você por acaso já votou em ministro? É, creio que não, por motivos óbvios. Pessoas que outrora olharam em nossos olhos nos fazendo crer em seus projetos e pedindo um voto de confiança para nos representar aceitam, depois de eleitas, “convites†para deixar o cargo. Sem o menor constrangimento jogam num vaso sanitário milhares de sonhos e esperanças; sorridentes e eufóricos na “nova posiçãoâ€, assistem descer esgoto abaixo um dos mais sublimes direitos conquistados: o voto. Treinados verbalmente a convencer a sociedade civil de que dois mais dois são cinco, eles começam a aparecer.
Essa prática abostelada de abandono de votos está em todos os níveis, sempre respeitando suas peculiaridades. Alguns tentam abortar o mandato bem no meio da gestão; correm para uma tal sociedade organizada, que até hoje não deu para entender: organizada pra quê? Se temos mais de cinqüenta milhões de miseráveis “assistindo respeitosamente†aqueles que lesaram os cofres públicos mostrando que o amplo direito de defesa tem mil e uma utilidades. Outros buscam as igrejas, onde, em nome de Deus, discursam que não estão abandonando os votos, “apenas†estão indo para um andar superior, onde serão mais úteis.
Não é preciso ir muito longe para observar tal prática; aqui pertinho já é possível visualizá-la, alguns mal entraram na puberdade política e mesmo verdinhos demonstram o continuísmo, onde a pessoa é simplesmente mais um número. Aqueles que abandonam os votos ou vão abandonar merecem o nosso repúdio, pois os mesmos fazem parte de uma sociedade casta, para eles não passamos de meio cidadão. (Elias Brandão - RG: 526.516)