08 de julho de 2026
Polícia

Acusado de aplicar golpe foge da cadeia

Rita Cornélio e Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Jesse Matias Braga, 43 anos, preso ontem pela manhã em Bauru sob a acusação de tentar aplicar o “golpe do parente doente”, fugiu quando estava sendo recolhido à Cadeia Pública de Bauru, por volta das 17h30. Ele teria aproveitado o momento que o carcereiro ausentou-se da sala, para receber outros presos que estavam chegando, e saiu pela porta dos fundos. Até o fechamento desta edição, Braga, que não estava algemado, não havia sido recapturado.

O delegado Roberval Fabbro, responsável pela cadeia, conta que a fuga será apurada pela Corregedoria da Polícia Civil. “Ele (Braga) estava sendo apresentado na cadeia. O carcereiro, que diz que os policiais que o encaminharam à cadeia estavam na sala, teve que se ausentar para receber outros presos. Quando voltou, não o encontrou. Achamos que ele fugiu pela porta dos fundos”, conta.

Braga foi preso pela manhã, após ser reconhecido pelo aposentado João Alves, 74 anos, como o homem que momentos antes tentou aplicar o “golpe do parente doente”. Alves foi abordado, no Centro da cidade, por um homem que disse precisar de R$ 500,00 para comprar um aparelho e salvar a vida do filho do aposentado, que supostamente teria sofrido um acidente e estaria internado.

O homem, que parecia querer ajudar, disse a Alves que sua mulher estava chorando no hospital e havia pedido para procurá-lo e pegar R$ 500,00. O dinheiro seria para pagar um equipamento para ser implantado na perna do filho de Alves. Apavorado e acreditando que a história era verdadeira, o aposentado entrou na agência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para sacar o dinheiro no caixa eletrônico.

Por sorte, o sistema estava fora do ar e Alves não conseguiu retirar os R$ 500,00, mas não desistiu da idéia. Pediu ao homem que aguardasse no mesmo local, que ele faria a retirada na agência do Banco do Brasil da rua Azarias Leite. Na agência, Alves pretendia retirar o dinheiro quando conversou com funcionários do banco, que o alertaram sobre a possibilidade do golpe.

Um funcionário do banco entrou em contato com o filho do aposentado, que afirmou que não havia sofrido acidente algum. A Polícia Militar foi acionada e um policial da Base Centro sem a farda acompanhou o aposentado até o local onde o homem aguardava. “Quando ele viu que eu estava com mais uma pessoa, tentou fugir,” conta o aposentado.

O homem foi perseguido e preso dentro de uma loja no Centro da cidade. Reconhecido pela vítima, ele foi encaminhado ao 3.º Distrito Policial, onde o delegado Ismael Cavalieri elaborou o flagrante por tentativa de estelionato. Mais tarde, duas vítimas do “golpe do parente doente” reconheceram Braga. Uma das vítimas, que na semana passada deu depoimento ao JC, perdeu R$ 250,00. A outra entregou ao acusado R$ 630,00.

Em ambos os casos a história contada pelo acusado teria sido a mesma: a de um parente da vítima que quebrara a perna e precisava de dinheiro para pagar aparelho. Braga foi preso por tentativa de estelionato, mas como foi reconhecido por duas vítimas, responderá também a dois inquéritos por estelionato. A pena prevista para o crime é de um a cinco anos de reclusão. Jesse Matias Braga contou aos policiais que veio de Presidente Prudente, onde já teria cumprido pena por furto.

“São José me livrou”

O aposentado João Alves é católico e disse que São José, santo ao qual é devoto fervoroso, foi quem lhe livrou de ter caído no “golpe do parente doente”. “Foi o santo que me livrou dessa fria. Eu ia entregar o dinheiro e perderia tudo, mas aconteceram coisas nesse meio tempo que impediram que eu fizesse a retirada”, conta.

Alves diz que acreditou na história contada pelo desconhecido porque realmente tem um filho. “Eu achei que era verdade. Um acidente pode acontecer a qualquer momento”, ressalta. A Polícia Militar acredita que outras pessoas, que não registraram boletim de ocorrência, caíram no golpe. “Ele aplicava os golpes na área central da cidade. No último domingo, ele tentou aplicar o golpe em dois freqüentadores da feira livre”, conta o sargento Miguel Ângelo Cabreira, da Base Centro.