11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ciesp de Bauru monta campanha para atacar juros altos

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) decidiram, segunda-feira, montar um grupo de trabalho de alto nível, que vai estudar um plano de ação da campanha para que as instituições financeiras reduzam as taxas de juros cobradas dos consumidores finais, tanto pessoas físicas quanto as jurídicas. A intenção é que essa passe a ser uma das bandeiras prioritárias da Fiesp-Ciesp.

A proposta partiu das lideranças da indústria de Bauru e conquistou a simpatia dos empresários pesos-pesados que fazem parte do Depecon da Fiesp, que tem à frente Clarice Messer. O presidente da Fiesp-Ciesp, Horácio Lafer Piva, não participou do encontro de segunda-feira, por ter viajado para o Timor Leste, em compromisso da Fiesp. Porém, foi um dos incentivadores da proposta e fez convites para que outros membros da casa da indústria participassem, de acordo com Coube.

Outra ação prática, que já está em negociação por um grupo que atua em defesa das micro e pequenas empresas, é o convencimento do Banco Central para que diminua as exigências de documentação e facilite o acesso das micros e pequenas empresas ao crédito. “Tem que ser mais ágil e fácil para que essas empresas consigam ter acesso a crédito para investir e promover seu desenvolvimento”, relata.

Coube revela que os participantes da reunião de segunda-feira apoiaram a proposta, apesar de reconhecerem que vai ser uma luta árdua para a Fiesp-Ciesp. Mas todos concordaram que essa ação não pode mais ser adiada. “Há mais pessoas, em outras áreas que já trabalham pelas micro e pequenas empresas. O que queremos é juntar todos, sob essa bandeira de crédito e juros, e tentar fazer com que seja uma grande luta da casa em termos de trabalho coordenado para se chegar a um resultado prático importante”, destaca.

Há ainda a possibilidade da Fiesp negociar com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para ações conjuntas de atuação em relação a vários assuntos de interesse mútuo, como a diminuição do depósito compulsório sobre os depósitos à vista feitos pela instituição.

Apresentação

Durante a reunião do Depecon, Coube realizou uma apresentação a vários empresários de projeção nacional, na qual mostrou que é preciso levar em consideração que 90% dos associados do Ciesp são micros e pequenas empresas, que empregam 85% do total da força de trabalho. Além disso, representam entre 30% e 40% do produto Interno Bruto Industrial (PIB) industrial.

O vice-presidente do Ciesp defende que a atual situação dos juros estimula o desemprego, reduz renda e o poder aquisitivo, aumentando a insegurança, com reflexos na Educação e na Saúde. “Provoca a baixa estima dos empresários e da população. É um estímulo à informalidade e à marginalidade”, explica.

Coube destaca que existem no País milhões de marginalizados pela política econômica praticada pelo governo. Ele ressalta que há um protecionismo com os bancos, que não competem entre si e, por isso, acabam só se favorecendo do sistema, “inclusive os bancos internacionais, que entraram no jogo praticado no Brasil, numa política diferente do que praticam nos países de origem, mas que traz altos lucros”.

Para ele, o Banco Central deveria fomentar a concorrência, o que poderia colaborar para a queda dos juros. Em última instância, a luta da Fiesp pode se concentrar na queda da taxa Selic, que também pode ajudar na queda geral.