09 de julho de 2026
Polícia

Agentes penitenciários tentam unificação sindical

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 25 representantes de sindicatos de agentes carcerários de todo o Estado reuniram-se ontem, na Câmara Municipal de Bauru, para a criação do grupo União Prisional do Sistema Penitenciário. Trata-se, de acordo com os dirigentes, do segundo passo para a unificação da categoria, que se mobiliza para ter mais força nas reivindicações e negociações junto ao governo estadual.

De acordo com o primeiro-secretário do Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop), Jardel de Araújo, a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária dividiu o gerenciamento dos presídios no Estado em cinco coordenadorias: Capital, central, oeste, noroeste e Baixada Santista/Vale do Paraíba.

“Houve uma regionalização em torno destas coordenadorias e surgiram vários sindicatos nas principais cidades. Só que, na hora de reivindicar um benefício, a secretaria só atende aquele sindicato e isso foi tirando nossa credibilidade. Com a unificação, a categoria se sentirá mais forte”, comenta Araújo.

O presidente do Sindcop, Ramon Álvaro dos Anjos Sousa, informa que este foi o quarto encontro dos dirigentes. Ele explica que o primeiro passo foi definir os sindicatos mais representativos no Estado - Avaré, Bauru, Presidente Prudente e São Paulo (Capital). As entidades menores foram incorporadas por eles regionalmente.

“Nesta reunião (de ontem), representantes de várias cidades do Estado fizeram uma votação para formar um grupo representativo. Por unanimidade, ficou decidido que o grupo será composto pelos presidentes das quatro entidades mais fortes. A partir de agora, eles representam a categoria em todas as conversas junto ao Governo do Estado. A médio prazo, seremos um único sindicato”, afirma.

Reivindicações

Entre as principais lutas da categoria atualmente, Sousa e Araújo citam a defasagem salarial, a falta de segurança aos trabalhadores, a precariedade nos cuidados de saúde do funcionalismo e a luta para trazer a sede da coordenadoria (hoje em Pirajuí) para Bauru.

“Um dos nossos problemas é o salário inicial de R$ 750,00 para jornada 12/36 (para cada 12 horas trabalhadas, o agente tem 36 horas de folga). O segundo é a insegurança. Neste sentido, a gente briga por melhorias dentro dos presídios, como a implantação de detectores de metal e bloqueadores de celular”, ressalta Araújo.

Os sindicalistas lembram que a pressão sobre o agente carcerário tem aumentado muito nos últimos anos, principalmente com a ação de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Eles ultrapassaram os muros dos presídios e ameaçam a categoria fora dos presídios”, observa Araújo.

Questionado a respeito das suspeitas de que os agentes facilitam a entrada de armas e telefones nos presídios, ele defende que esta irregularidade atinge um percentual baixíssimo da categoria. “Porque o funcionário é o único que é revistado para entrar (além dos visitantes). Advogados, religiosos, defensores dos direitos humanos não são. Mas quando há uma suspeita, a diretoria é a primeira a afastar o suspeito dos detentos, mantendo-o em trabalhos externos”, garante.

Os dirigentes reclamam da necessidade de melhorar a promoção de saúde entre os trabalhadores. Entre as reivindicações, eles querem encaminhamento psicológico para carcereiros que são mantidos reféns ou sofrem atentados fora dos presídios. “Hoje, o agente é pego como refém e, no dia seguinte, está trabalhando de novo (...) Em alguns casos, um único homem toma conta de até 250 detentos”, afirma Araújo.