10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Consultor defende implantação do SPB

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

“O SPB é um benefício e não um ônus”. Essa é a definição dada ao novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) - que está previsto para entrar em vigor dia 22 - pelo consultor financeiro Carlos Fagundes, que já foi vice-presidente de tesouraria dos bancos Chase Manhattan e Itamarati. Ele vê o sistema como uma revolução eletrônica inevitável na maneira de fazer negócios.

O novo SPB modificará a rotina de administração financeira de todas as empresas, principalmente as de médio e grande portes. O objetivo é diminuir a quantidade de cheques emitidos e dar mais segurança às operações.

A principal alteração fica por conta de um sistema eletrônico de transferência de recursos em tempo real. Através da Transferência Eletrônica Disponível (TED), todas as quantias acima de R$ 5 mil serão transferidas “on line”.

De acordo com Fagundes, o principal benefício do novo sistema é o custo reduzido das operações, já que serão automatizadas.

“Para se ter idéia dessa redução basta saber que, em geral, procedimentos eletrônicos feitos pela Internet custam R$ 0,07 para cada R$ 1,00 pago numa agência bancária”, compara.

De acordo com ele, a partir de 22 deste mês - se o Banco Central não alterar o calendário previsto - até 31 de julho não haverá cobrança de tarifas na emissão de cheques com valores acima de R$ 5 mil. Isso ocorrerá a partir de agosto já que, até lá, será considerado “período de teste” da implantação do SPB.

“O Banco Central pretende fazer com que empresas e pessoas físicas deixem de utilizar cheque para pagamentos de grande valor, ou acima de R$ 5 mil. Para isso, essas operações passam a ser feitas por meios eletrônicos”, observa Fagundes.

Ele explica que, nessa primeira fase (até agosto), a TED será exigida apenas para pagamentos acima de R$ 5 milhões. Até lá, as empresas poderão se adaptar ao novo sistema.

Fagundes ressalta que uma das grandes características do SPB é a segurança que será proporcionada às operações financeiras.

“O novo SPB é um grande salto rumo à modernização. Com ele, não caberá mais cancelamento de pagamentos, por exemplo. Numa relação comercial, as transações automáticas eliminam o risco de calote, o que não pode ser garantido com o cheque”, cita o consultor.

Na opinião de Fagundes, para as empresas o novo SPB consiste numa revolução eletrônica na maneira de fazer negócios e de integrar clientes e fornecedores.

Para ele, se adequar ao sistema será inevitável, mesmo para as empresas de porte menor. Por ser um mecanismo facilitador da rotina financeira, o consultor acredita que os empresários não sentirão grandes dificuldades de se adaptar à novidade.

“O empresariado brasileiro é dinâmico e muito aberto a novidades. Basta saber que, atualmente, as declarações de Imposto de Renda feitas pela Internet correspondem a cerca de 97% do total entregue. Fazendo a lição de casa e organizando a estrutura interna da empresa, nada será empecilho para uma rápida adaptação ao SPB”, avalia.

Para pessoas físicas, valem os mesmos benefícios de redução de custos nas operações financeiras (pagamentos, transferências) feitas eletronicamente.

Carlos Fagundes esteve em Bauru, ontem, a convite da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Ele ministrou palestra sobre o SPB a cerca de 100 empresários, esclarecendo detalhes do novo sistema.