“O SPB é um benefício e não um ônusâ€. Essa é a definição dada ao novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) - que está previsto para entrar em vigor dia 22 - pelo consultor financeiro Carlos Fagundes, que já foi vice-presidente de tesouraria dos bancos Chase Manhattan e Itamarati. Ele vê o sistema como uma revolução eletrônica inevitável na maneira de fazer negócios.
O novo SPB modificará a rotina de administração financeira de todas as empresas, principalmente as de médio e grande portes. O objetivo é diminuir a quantidade de cheques emitidos e dar mais segurança às operações.
A principal alteração fica por conta de um sistema eletrônico de transferência de recursos em tempo real. Através da Transferência Eletrônica Disponível (TED), todas as quantias acima de R$ 5 mil serão transferidas “on lineâ€.
De acordo com Fagundes, o principal benefício do novo sistema é o custo reduzido das operações, já que serão automatizadas.
“Para se ter idéia dessa redução basta saber que, em geral, procedimentos eletrônicos feitos pela Internet custam R$ 0,07 para cada R$ 1,00 pago numa agência bancáriaâ€, compara.
De acordo com ele, a partir de 22 deste mês - se o Banco Central não alterar o calendário previsto - até 31 de julho não haverá cobrança de tarifas na emissão de cheques com valores acima de R$ 5 mil. Isso ocorrerá a partir de agosto já que, até lá, será considerado “período de teste†da implantação do SPB.
“O Banco Central pretende fazer com que empresas e pessoas físicas deixem de utilizar cheque para pagamentos de grande valor, ou acima de R$ 5 mil. Para isso, essas operações passam a ser feitas por meios eletrônicosâ€, observa Fagundes.
Ele explica que, nessa primeira fase (até agosto), a TED será exigida apenas para pagamentos acima de R$ 5 milhões. Até lá, as empresas poderão se adaptar ao novo sistema.
Fagundes ressalta que uma das grandes características do SPB é a segurança que será proporcionada às operações financeiras.
“O novo SPB é um grande salto rumo à modernização. Com ele, não caberá mais cancelamento de pagamentos, por exemplo. Numa relação comercial, as transações automáticas eliminam o risco de calote, o que não pode ser garantido com o chequeâ€, cita o consultor.
Na opinião de Fagundes, para as empresas o novo SPB consiste numa revolução eletrônica na maneira de fazer negócios e de integrar clientes e fornecedores.
Para ele, se adequar ao sistema será inevitável, mesmo para as empresas de porte menor. Por ser um mecanismo facilitador da rotina financeira, o consultor acredita que os empresários não sentirão grandes dificuldades de se adaptar à novidade.
“O empresariado brasileiro é dinâmico e muito aberto a novidades. Basta saber que, atualmente, as declarações de Imposto de Renda feitas pela Internet correspondem a cerca de 97% do total entregue. Fazendo a lição de casa e organizando a estrutura interna da empresa, nada será empecilho para uma rápida adaptação ao SPBâ€, avalia.
Para pessoas físicas, valem os mesmos benefícios de redução de custos nas operações financeiras (pagamentos, transferências) feitas eletronicamente.
Carlos Fagundes esteve em Bauru, ontem, a convite da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Ele ministrou palestra sobre o SPB a cerca de 100 empresários, esclarecendo detalhes do novo sistema.