11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ferroban realiza demissão de 130 funcionários no Estado

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A Ferrovias Bandeirantes S.A. (Ferroban) demitiu, anteontem, 130 funcionários que trabalhavam no Interior do Estado de São Paulo. Entre eles, cerca de 20 são de Bauru e de cidades da região. A afirmação é do presidente do Sindicato dos Ferroviários da Zona Paulista, Waldemar Raffa.

De acordo com ele, estaria nos planos da empresa, ainda, demitir mais 1.000 empregados do total de 3.100 que possui. Entre os funcionários dispensados anteontem, havia alguns dos que estavam afastados do serviço desde fevereiro, em licença remunerada - num total de 1.100.

De acordo com Raffa, ao todo a Ferroban já dispensou 730 funcionários do seu quadro total. Além dos 130 demitidos terça-feira, outros 600 que estavam trabalhando teriam aderido ao Plano de Demissão Voluntária (PDV).

O sindicalista diz que a direção da empresa propôs o PDV numa carta aberta enviada a quase três mil empregados. Contudo, esse plano prevê indenizações trabalhistas reduzidas.

“No momento, a Ferroban está cortando apenas os empregados que têm a receber indenização de até R$ 30 mil. Acima desse valor, a empresa quer negociar o parcelamento da dívida em até 40 vezes. Os 600 que aderiram ao PDV fizeram isso porque não suportaram as pressões que estavam sofrendo”, diz Raffa.

De acordo com ele, muitos trabalhadores estariam sendo transferidos de forma “coercitiva” para outras cidades para fazer o serviço dos que estão em licença há quase 100 dias. Dados do sindicato dão conta de que 14 funcionários de Bauru foram enviados para Araraquara.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Ferroban, em São Paulo, solicitando um posicionamento por parte da empresa. Mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

De acordo com Raffa, os empregados da ferrovia estariam sendo vítima de assédio moral e sofrendo humilhações.

“Os crachás dos funcionários que continuam trabalhando foram trocados e os que estão em licença remunerada foram proibidos de entrar na empresa. Antes disso, eles foram deixados sem função dentro de um barracão, que chegou a ser chamado de pavilhão 9. São chefes de família que estão na empresa há mais de 15 anos”, relata o presidente do sindicato.

Para Raffa, esses trabalhadores estariam sendo vítimas de “tortura psicológica” e passando por sérias dificuldades em família. O objetivo, segundo ele, seria forçá-los a aderir ao PDV para que a empresa possa pagar indenizações menores que as devidas. “Os deságios chegam a 48%”, afirma o sindicalista.

Para esta sexta-feira, às 14 horas, está marcada uma reunião no Ministério do Trabalho, em Campinas, para discutir a situação dos trabalhadores cujo valor da indenização é maior que R$ 30 mil. O sindicato não quer que o pagamento seja parcelado.

“Esperamos que os representantes da Ferroban compareçam. Quem tem coragem para fazer tudo isso com os trabalhadores deve ter coragem para falar frente a frente”, desabafa Raffa.

De acordo com ele, tudo isso estaria acontecendo pelo fato da Ferroban estar em sérias dificuldades financeiras.

“A empresa já afirmou que tem impostos e encargos atrasados a pagar, que seu patrimônio líquido está praticamente zerado e ainda está devendo uma parcela do pagamento da concessão, vencida em junho do ano passado, no valor de R$ 10 milhões”, diz.