09 de julho de 2026
Política

Projeto pretende fixar indígenas em aldeias

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A Dimensão Missionária da Universidade do Sagrado Coração (USC) está completando sete anos de integração com a comunidade indígena da aldeia de Araribá, em Avaí. Hoje, Dia do Índio, não há muito o que se comemorar, mas o comando da missão reconhece que o trabalho que está sendo desenvolvido na aldeia dá ao índio a oportunidade de se auto-sustentar e de se fixar na terra de sua propriedade.

O coordenador da Dimensão Missionária da USC, professor Dorival José Cabral, explica que houve uma evolução na comunidade desde que o projeto foi implantado, em 1996. Segundo dados levantados por ele, 80% dos 465 índios da aldeia trabalham fora para manter suas famílias.

Mas a situação atual evolui para mudanças, principalmente de infra-estrutura. Hoje, a água para consumo é tratada e foram construídas fossas sépticas para o esgoto. Doenças parasitárias que afetavam os índios foram detectadas e tratadas pelo programa, que envolve estudantes universitários dos cursos de enfermagem, biologia, farmácia, letras, pedagogia, odontologia, fisioterapia e publicidade.

Um dos projetos que estão sendo implantados atualmente é o de hortas familiares. Duas estufas plásticas produzem verduras e hortaliças e ainda são aproveitadas para nutrir mudas de espécies nativas da região. Elas estão sendo plantadas nas margens do córrego Araribá, que enfrenta processo de assoreamento de seu leito devido ao uso extensivo da terra.

Os índios também mantêm um canteiro medicinal, cujas plantas - dentre as quais boldo, arnica e babosa - são utilizados em tratamentos caseiros. Através de bolsas cedidas pela USC, quatro índios estão sendo mantidos em Bauru pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para cumprir jornada de educação.

Dois deles cursam enfermagem, um letras e um outro pedagogia. “Quero deixar claro que nosso trabalho tem por objetivo tornar a aldeia auto-sustentável, fixando o índio na terra e dando a ele a oportunidade de gerenciar seus próprios destinos”, diz Coral.

Segundo ele, desde o início do projeto, em 1996, mais de 150 universitários participaram do projeto. Hoje, 25 continuam na manutenção do programa.

Audiência pública

Na próxima sexta-feira, dia 26, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa realizará em Bauru, na USC, uma audiência pública para discutir a questão indígena no Estado.

O presidente da comissão, deputado Renato Simões (PT), diz que o objetivo é preparar um relatório sobre a situação indígena no Estado de São Paulo, documento que será encaminhado aos órgãos governamentais depois de pronto.

“Estamos discutindo sete grandes pontos: a questão fundiária - que trata da demarcação de terras - educação diferenciada para os índios, saúde, geração de renda, preservação cultural, relação com os órgãos federais e meio ambiente.”

Além de Simões, participará do evento o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e o presidente da Assembléia Legislativa, Valter Feldmann (PSDB).