08 de julho de 2026
Geral

6ª CSM deve ser desativada até final deste ano

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A 6.ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM) de Bauru, fundada em 1942, na época da 2.ª Guerra Mundial, para recrutar soldados, deve encerrar as atividades até o final deste ano. O fechamento do órgão na cidade faz parte da reestruturação pela qual o Exército está passando, de acordo com o coronel Roberto Galhardo Gomes, chefe da 6.ª CSM.

Ele frisa que apesar da desativação da CSM, a Delegacia e a Junta do Serviço Militar de Bauru, que fazem o alistamento militar, vão continuar funcionando, assim como o Tiro de Guerra. A CSM é responsável, entre outras coisas, pela mobilização de pessoal da reserva para treinamento, análises de processos de pedidos de dispensa do serviço militar (em caso de arrimo de família ou por convicção religiosa) e por visitas de inspeção a delegacias do serviço militar.

Também é a CSM que faz a divulgação das campanhas de alistamento militar, que é obrigatório para todo jovem do sexo masculino ao completar 18 anos, e de concursos de escolas militares. A proposta do Comando do Exército, de acordo com o coronel Galhardo, é que Bauru e região sejam incorporados à 5.ª CSM, que fica em Ribeirão Preto.

O chefe da CSM explica que outras cidades, inclusive capitais, também terão unidades desativadas. “Até julho deve ser assinada a portaria da desativação das unidades de Bauru, Três Corações (MG), Maceió (AL), Aracaju (SE) e Terezina (PI). Como não podemos aumentar o efetivo, o Comando do Exército está fazendo essa reestruturação para criar novas unidades e ampliar outras, em áreas consideradas prioritárias”, diz.

A Amazônia, por causa dos conflitos na fronteira, é um dos Estados cujas circunscrições do serviço militar estão sendo reforçadas, segundo Galhardo. Em outras localidades, o motivo é a possibilidade de junção a órgãos de pesquisa. “Recentemente foi criada a Brigada de Aviação do Exército em Taubaté por causa da proximidade com o ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica) e da Embraer, que ficam em São José dos Campo”, conta o coronel.

Na opinião de Galhardo, do ponto de vista operacional não há problemas de Bauru passar a pertencer à CSM de Ribeirão Preto, mas ela frisa que não é o ideal. “O alistamento do serviço militar está quase todo informatizado, mas sempre há prejuízo na desativação porque temos uma ligação próxima com a sociedade, principalmente quanto à divulgação de concursos, que vai ficar mais difícil ser feita por Ribeirão Preto”, afirma.

Além disso, explica, parte dos 55 funcionários da 6.ª CSM, que é de Bauru ou já está inserida na cidade, será transferida. “Muitos militares de carreira serão transferidos para outras unidades. Alguns serão licenciados e os funcionários da União certamente serão remanejados para outros órgãos”, prevê.

O próprio coronel Galhardo, que veio de São Paulo há pouco mais de um ano para comandar a 6.ª CSM, deverá ser transferido. O prédio da unidade, na quadra 3 da rua Bandeirantes, deverá ser colocado à disposição da União.

Por ano, Bauru recebe, em média, a inscrição de 3.000 jovens para o serviço militar. Desses, apenas 100 são incorporados ao Tiro de Guerra, ou seja, vão fazer o treinamento militar de oito meses. Concluído o treinamento, eles são colocados na reserva e convocados caso o Exército considere necessário. Os demais alistados são dispensados.

Ex-combatente lamenta

O presidente da Associação dos Ex-Combatentes da 2.ª Guerra Mundial, José Colomera, 80 anos, lamenta a anunciada desativação da 6.ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM). “Vai fazer falta para todos nós porque é um órgão que sempre deu suporte para os eventos comemorativos. Além disso, nós, que somos militares da reserva, temos que comparecer uma vez por ano à CSM e agora teremos que nos deslocarmos até Ribeirão Preto”, diz.

Ele conta que a 6.ª CSM foi instalada em Bauru em 1942, para recrutar soldados da cidade e região para a 2.ª Guerra Mundial. “Da região foram recrutados cerca de 100 soldados, que foram enviados para combater na Itália. Eu já estava servindo o Exército em Mato Grosso quando fui convocado. Saí de lá de trem. Ao passar por Bauru, já eram 18 vagões só de soldados”, conta.

A associação tem cerca de 40 filiados entre ex-combatentes e viúvas de ex-combatentes, de acordo com Colomera. Os sócios reúnem-se uma vez por semana, na sede da entidade, para discutir a participação e organização de eventos comemorativos relacionados à 2.ª Guerra e a ajuda a companheiros necessitados.