Com um total de aproximadamente 316 mil habitantes - conforme o Censo de 2000 -, atualmente Bauru conta com um cirurgião-dentista para cada grupo de 312 moradores. O dado foi levantado por uma pesquisa que está sendo desenvolvida desde agosto de 2001 por um aluno do terceiro ano da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP).
A média é três vezes maior que o número mínimo estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza como ideal a quantidade de 1.000 pessoas para cada dentista.
De acordo com o professor de Estatística José Roberto Pereira Lauris, que divide a função de orientador da pesquisa juntamente com a professora de Saúde Coletiva Nilce Emy Tomita, o número elevado de profissionais é decorrente de algumas características particulares da cidade.
“Além de Bauru ter três faculdades de Odontologia, é um centro formador de profissionais e referência na área de ensino. Por esse motivo, a cidade atrai muitas pessoas que vêm para cá fazer algum tipo de especialização, por exemplo, e acabam morando aquiâ€, avalia Lauris.
Questionado sobre uma possível saturação do mercado, o que poderia dificultar o ingresso de novos profissionais, o professor diz que essa questão deve ser analisada com alguns critérios. Ele não nega a alta concentração de cirurgiões-dentistas, mas frisa que nem todos atuam na área de atendimento.
â€Essa análise deve ser feita com muito cuidado, porque muitos dos profissionais que estão aqui não atuam diretamente no atendimento à população. Grande parte está na área de ensinoâ€, relata.
Contudo, o objetivo principal do trabalho, nessa primeira fase, é avaliar o perfil profissional dos cirurgiões-dentistas da cidade. Num segundo momento, a qualidade do atendimento prestado será avaliada.
O aluno que está desenvolvendo a pesquisa, Vinícius Obici Lambert, diz que ao final do trabalho será analisada uma série de fatores que possibilitem a verificação das áreas da odontologia que são mais carentes, os benefícios que estão sendo oferecidos aos pacientes, a porcentagem de dentistas que atendem por convênio e medir o grau de satisfação com a profissão.
Questionários
De acordo com Lauris, a pesquisa integra o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do CNPq. A partir de uma listagem fornecida pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO), no início deste mês foram enviados 1.010 questionários a dentistas da cidade.
A meta é que sejam devolvidos até o final de abril ou, no máximo, em maio, para que os dados possam ser tabulados. O objetivo é ter o resultado final do levantamento sobre o perfil profissional até o final de junho deste ano.
“Os profissionais que respondem o questionário não precisam se identificar, já que o interesse no tema é científico. Esperamos a colaboração da maioria dos que receberam as perguntas, porque essa pesquisa é muito importanteâ€, salienta o professor da FOB.
De acordo com Lauris, numa amostragem piloto realizada no ano passado, quando cerca de 60 profissionais responderam a um questionário com 18 perguntas, teria sido verificado que a maioria deles está satisfeita com a profissão.
“Alguns reclamaram de que a remuneração não estaria de acordo com o esperado. Mas isso é reflexo da própria concentração alta de profissionais no mercado, que acaba influenciando no retorno financeiroâ€, avalia Lauris.