08 de julho de 2026
Auto Mercado

Paixão com sotaque germânico

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

O dentista bauruense Paulo Afonso Silveira Francisconi é um apaixonado pelos carros antigos. Apesar de admirar os automóveis de décadas passadas das mais variadas marcas, ele é fã confesso de uma em especial: Volkswagen.

Mas a história de amor de Paulo e os Volks nasceu quase que naturalmente. Ele conta que quando era criança, nas décadas de 60 e 70, morava na cidade de Dois Córregos, município que na época possuía apenas o revendedor da montadora alemã. Por isso, os únicos carros que conhecia e tinha acesso eram os da VW. “Geralmente, gostamos dos automóveis de quando éramos jovens. Como na cidade só havia a concessionária deles, fui crescendo e aprendendo a admirar os veículos da marca”, afirma ele.

Sendo assim, nada mais natural que, quando chegasse à idade adulta, Francisconi se mantivesse fiel aos carros de origem alemã. E foi o que aconteceu. Apesar de utilizar automóveis de outras marcas para trabalhar, ele mantém uma coleção onde só entram carros Volkswagen.

O primeiro a entrar para a galeria foi um Puma 73 conversível, comprado há 19 anos. Na seqüência foi a vez de um Fusca 1953 produzido na Alemanha, que já está na sua garagem há 15 anos. Outro a integrar a coleção, já há oito anos, é um Fusca 1969 quatro portas com motor 1600, conhecido popularmente como “Zé do Caixão”. Já a aquisição mais recente foi um Karmann Ghia TC 1971.

O dentista admite que nunca chegou a fazer nenhuma “loucura” para ter um carro antigo. Para Francisconi, o mais “gostoso” é ter de batalhar para tê-los. “Para ter um carro novo é só ir na agência e comprá-los. Já um veículo antigo temos de achar aquele que gostamos e ficar anos atrás do seu proprietário até que ele resolva vender”, considera Francisconi.

E foi justamente através da tática de “vencer pelo cansação” que o bauruense conseguiu comprar o “Zé do Caixão”, automóvel que para ele foi o mais difícil de adquirir. “O dono não queria vender de jeito nenhum. Foi preciso três anos para convencê-lo e, quando ele resolveu vendê-lo, eu já estava de prontidão”, diz o dentista.

Brinquedos

Para Francisconi, a sensação de comprá-los e ter os carros antigos na garagem é indescritível. “A diferença da criança para o homem é o tamanho dos brinquedos. Brinco com os carros e passo todos os finais de semana limpando, polindo e lavando. É como ser criança novamente”, compara o dentista.

Apesar da coleção ter veículos antigos apenas da Volkswagen, ele gosta de outras marcas, mas sempre da mesma década. “Quero, ainda, uma perua Kombi 1967, mas o dono não quer vender e estamos há um ano e meio brigando pelo carro”, revela ele. Outros prováveis “alvos” de Francisconi devem ser uma Variant, TL, Brasília e Karmann Ghias de outros modelos.

Ele afirma não ter dificuldades com a manutenção, que para ele é uma das grandes qualidades da marca. “A grande vantagem de ser Volkswagen é a facilidade de manutenção. O Fusca, por exemplo, fui lavar um dia o farol dele e, para isso, tive de desmontar. Acabou caindo no chão e quebrou. Pensei que estivesse perdido, mas fui na revendedora e achei o farol para o modelo 53, que estava empoeirado e jogado em um canto. Ele não sabia nem o preço, pois não tinha na tabela, mas acabou vendendo.”

Vender não significa mais do que uma mera hipótese para Francisconi. “Só em caso de extrema necessidade. Muitos já quiseram comprá-los, mas não os comercializo nem se ficarem três anos atrás de mim”, destaca ele.

Ser dono de um automóvel que integra a história dos carros de décadas passadas também já fez Francisconi passar por situações curiosas e engraçadas. “Estava com o Fusca e um cara parou no semáforo ao meu lado e perguntou se eu queria vendê-lo. Falei que sim e pedi R$ 20 mil. O cara me disse que eu era louco. Dai lhe falei que louco era ele que queria comprá-lo”, finaliza o dentista.

Perfil

Nome Paulo Afonso Silveira Francisconi

Estado civil Casado, duas filhas

Profissão Dentista

Lugar para passear Guarujá

Hobby

“Mexer nos carros antigos.”

Time do coração Corinthians

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“Nada, pois a pessoa que se irrita no trânsito devia andar de ônibus. Tem que rodar tranqüilo. É só andar devagar e desviar dos buracos.”

Quem você não colocaria como passageiro do seu carro?

“Não tenho nada contra ninguém.”

Quem você levaria como passageiro do seu carro?

“Minha família, sempre.”

Que nota você daria aos motoristas bauruenses?

“Não sou um expert, mas considero que estão dentro da média nacional.”