08 de julho de 2026
Geral

Bauru discute Síndrome de Down

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Incluir portadores de Síndrome de Down em salas de aula das escolas regulares ainda é um assunto cercado de dúvidas. Muitos pais e educadores não sabem ao certo se isso seria saudável ou não para o estudante e seus colegas de classe.

Com o objetivo de esclarecer esse assunto, será realizada, no próximo dia 27, a partir das 9h30, no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru, a palestra “Inclusão escolar da criança com necessidades especiais”. O evento, que será ministrado pela pedagoga e doutoranda em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSC), Vera Lúcia Capellini, é voltado para professores de pré-escola e ensino fundamental, de estabelecimentos particulares ou públicos, além pais, familiares e universitários interessados. A entrada é gratuita.

A palestra é promovida pela Sociedade Amigo Down, entidade formada por casais que possuem filhos portadores da Síndrome. De acordo com a presidente da entidade, Fujica Kassai Fernandes Silva, o objetivo do grupo é dar apoio e orientação para as famílias que enfrentam o problema. “As pessoas quando descobrem que o filho nasceu portador da Síndrome ficam perdidas e sem saber o que fazer”, conta.

Uma das principais metas da Sociedade Amigo Down é promover a inclusão das crianças portadoras de Down nas salas de aula das escolas convencionais. “Nós entendemos que as crianças com necessidades especiais podem se adaptar ao ensino regular. Isso é extremamente positivo para o desenvolvimento delas”, esclarece Fujica.

Ela explica isso levando em consideração a sua própria experiência de vida. Mãe de uma menina de 17 anos portadora da Síndrome, ela conseguiu matriculá-la numa escola pública, em sala de aula convencional. “Minha filha consegue acompanhar as outras crianças e não tem problema de relacionamento”, diz.

A presidente da entidade conta que existe uma política do Ministério da Educação (MEC) para promover a inclusão dos portadores de Síndrome de Down nas escolas regulares. No entanto, salientou que os educadores ainda estão sendo preparados para isso.

Confortar

A Sociedade Amigo Down foi criada oficialmente em março do ano passado. Formada atualmente por 19 casais, cujos filhos são portadores da Síndrome, o objetivo da entidade é trabalha no amparo às pessoas que estejam enfrentando as mesmas dificuldades que eles. “Ainda existe muita desinformação sobre a Síndrome. Nossa idéia é acabar com as dúvidas e dar conforto para quem sente alguma dificuldade em enfrentar a doença”, ressalta Fujica.

Um dos propósitos da entidade é trabalhar em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “A Apae tem diversos programas de atendimento e nós pretendemos complementar o trabalho dos profissionais de lá”, frisa Fujica.

Uma vez por mês, os integrantes do grupo reúnem-se em sua sede com o objetivo de trocar experiência e dar depoimentos sobre o que estão enfrentando.

Entre as finalidades descritas no estatuto da Sociedade estão proporcionar a livre discussão de todos os assuntos de interesse dos associados; defender direitos, interesses e prerrogativas das pessoas com Síndrome de Down, e orientar os associados e a população em geral, sempre que consultado, sobre toda e qualquer informação a respeito da Síndrome.

De acordo com Fujica, nem sempre os pediatras estão preparados para dar a notícia da Síndrome aos pais. “Isso pode causar um constrangimento muito grande tanto para o profissional, quanto para os pais.” Por isso, ela está tentanto entrar em contato com os médicos para oferecer auxílio nessa hora. “Se eles quiserem, nós podemos comunicar o fato aos pais, de um jeito que não cause traumas”, explica.

Ela salienta que, se for realizada uma intervenção precoce, a criança poderá conquistar diversas etapas do desenvolvimento, atingindo essas etapas com poucos meses de defasagem do que o bebê sem a Síndrome.

â€œÉ bom destacar que existem diversas formas de manifestação da Síndrome, umas com mais intensidade que outras. Por isso, o resultado dos tratamentos nem sempre é igual”, destaca Fujica.

Serviço

Para obter mais informações sobre a palestra e sobre a Sociedade Amigo Down basta ligar para (14) 224-1544.

O que é a Síndrome de Down?

A Síndrome de Down é uma anomalia congênita, com comprometimento das funções motoras do corpo e das funções mentais.

Ela é causada por uma alteração genética, que ocorre no momento da formação do feto.

Cada uma das células do corpo possui 46 cromossomos, formados em pares. No caso dos portadores da Síndrome de Down, há uma alteração no cromossomo de número 21. Ao invés de se formar em par, ele é composto em trio. Isso é conhecido como trissomia 21.

O erro pode ocorrer também quando a célula inicial do bebê já se formou e, portanto, não depende das células dos pais.

A Síndrome de Down foi descoberta em 1866, pelo médico inglês Sir John Langdon Down.