Imagine a figura de Tiradentes. Conseguiu? Facílimo, não é mesmo? Ele está em todos os livros escolares. Claro que veio à sua cabeça aquela figura magra, sem camisa, cabelos e barbas longos, olhos tristes e profundos.
Tiradentes foi enforcado em 21 de abril de 1792 e esquartejado. Mas só 200 anos depois, nas comemorações do bicentenário de sua morte, foi divulgada com mais clareza a informação de que aquele herói parecido com Jesus Cristo nunca existiu.
Documentos comprovam que na casa do nosso mártir foram encontradas duas navalhas e um espelho. Além disso, sabemos que, naquela época, os presos eram proibidos de usar barbas e cabelos longos. No mais, Tiradentes era soldado da Polícia Militar que, em seu regimento, exigia cabelo curto e rosto barbeado.
Por que, então, aquela imagem tão reproduzida nos livros escolares? Explicação: os artistas, ávidos por esculpir um mártir capaz de facilitar a mobilização política, deram-lhe o aspecto de Cristo, sacrificado pelos romanos.
Mesmo com essa informação histórica, comprovada em documentos, não será fácil para você mudar a figura que tem de Tiradentes, está aí acabado um exemplo da força da manipulação, propagada ao longo do tempo pelos meios de comunicação.
A verdade é que também fomos feitos bobos no banco escolar. A verdade é que muitos de nós que estamos lendo este texto também seremos feitos bobos em outubro na hora do direito sagrado do voto. Também é verdade que todos os dias continuamos a encenar esse incômodo papel, enganados por outros personagens e idéias como a figura criada para Tiradentes. *(Grupo de Cidadania - Paróquia Nossa Sra. das Graças - Odair Machado - RG. 4.969.663)