Reverendíssimos senhores bispos, gostaria de pedir aos senhores que esclarecessem bem quanto ao aconselhamento dado aos governantes: â€œÉ preferível não pagar nenhuma das dívidas, interna (sic) ou externa...†Talvez os senhores não saibam que grande parte da dívida interna de São Paulo, se refere ao gatilho, um direito líquido e certo de funcionários públicos, julgados e rejulgados muitas vezes, por vários tribunais os quais deram ordem ao governo de pagar e ele não paga. São funcionários que já o eram ou até já estavam aposentados desde 1988. E sonhamos todos com esse dinheirinho, não para grandes extravagâncias, pois nem dá para tanto, mas muitos de nós, já bem idosos, esperamos por esse dinheiro para tratar melhor da saúde, consertar a casa, há muito sem manutenção, ajudar um filho desempregado ou ajudar a pagar a faculdade para um neto inteligente. Muitos até, que se poderia classificar antes como pessoas de classe média, foram caindo na linha da pobreza e hoje esperam esse pouco que o governo lhes deve, para melhorar a alimentação, sair da marmita barata e poder ao menos tomar um vinho de vez em quando... Fazer, talvez, uma viagem, sonhada durante toda a vida, isto para os mais felizes, cujos filhos e netos não precisam deles. É gente, senhores bispos, que só não se intitula pobre por ter vergonha, visto que em outros tempos foi próspero funcionário público do rico Estado de São Paulo. Se ao invés de preconizar o calote para nós, os senhores aconselhassem o governador do Estado de São Paulo a nos pagar, garanto que estariam sim, combatendo a pobreza e ajudando muita gente que precisa e merece, provou merecer, até juridicamente. (Isolina Bresolin Vianna - Assoc. Paulista de Imprensa n.º 1333)