Um dos maiores desafios da Prefeitura Municipal de Bauru é conter o escoamento das águas pluviais e, conseqüentemente, evitar as desastrosas inundações que teimam em se repetir ano após ano. Isso não é novidade para ninguém. Desconhecida é a dificuldade que a administração pública tem de planejar obras de drenagem diante da total ausência de controle sobre o crescimento de áreas impermeabilizadas (quintais cimentados, estacionamentos pavimentados e ampliações imobiliárias domésticas irregulares).
A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, admite que não possui quaisquer dados concretos a respeito da impermeabilização do solo de Bauru. “Sentimos, visualmente, que a tendência é a pavimentação total dos lotes, mas não temos números concretos e calculados sobre o assuntoâ€, expõe. Obviamente, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) dispõe de meios para contornar a escassez estatística, mas a população tem de ser urgentemente informada sobre sua responsabilidade nesse importante aspecto urbanístico.
Toda vez que, em nome da praticidade ou até mesmo da necessidade, uma pessoa opta por cimentar ou revestir o quintal de casa, o volume de água da chuva cresce nos canais de captação (galerias subterrâneas ou rios). Olhando assim, pode parecer pouco, mas imagine qual a contribuição de um bairro populoso como o Mary Dota? Incalculável, assim como também o é a quantidade de águas pluviais que será despejada pelos empreendimentos habitacionais que ainda estão por vir.
Não se pode, é claro, crucificar a imensa maioria da população que recorre ao calçamento dos quintais por questões de comodidade e economia. Manter grama e plantas nas partes externas da casa consome tempo e dinheiro, duas variáveis raras nos dias de hoje. “Porque fica mais fácil de cuidar†é a resposta pronta que as pessoas dão ao serem questionadas sobre o assunto. Compreensíveis também são os casos daqueles que impermeabilizam o quintal para oferecer mais conforto à família.
Os imóveis pequenos, especialmente os dos núcleos populares (entregues com 44 metros quadrados de área construída), exigem a imediata ampliação quando a família é composta por mais de quatro pessoas. A construção de mais um cômodo ou de uma edícula para serviços já consome todo espaço que poderia ser reservado à desejável área verde.
Apesar disso, a população precisa estar consciente dos efeitos dessas inevitáveis impermeabilizações e, por que não, tentar amenizá-los de alguma forma. Um minúsculo jardim ou mesmo um recorte de terra para uma única árvore dentro do perímetro doméstico já seriam colaborações importantes em prol do bem-estar coletivo. Mais do que isso, seria uma forma de preservar o meio ambiente, pois toda água que retorna ao solo contribui com o aumento da reserva de água potável, um outro grande desafio a ser vencido neste século.
Outros aspectos positivos que passam despercebidos estão na influência do verde no conforto térmico da casa - fica bem mais fresca quando há grama ou plantas por perto -, na estabilidade emocional - comprovada por estudos científicos internancionais -, na diminuição da poeira e no aumento da umidade do ar, fator muito favorável às doenças respiratórias. Se não for possível manter nem mesmo os pequenos espaços de terra, os vasos de plantas dispostos nas áreas externas são de grande valia.
A dica não serve apenas para os imóveis residenciais. Os pontos comerciais, principalmente aqueles que oferecem estacionamentos, também podem e devem fazer sua parte. Substituir o asfalto ou cimento por placas de concreto entremeadas de grama ou mesmo os pedriscos faz a diferença em favor da boa drenagem urbana.
Sem dados estatísticos para elaborar mecanismos eficazes de drenagem de águas pluviais, a Seplan recorre a estimativas consolidadas por tendências cotidianas e experiências de outras cidades. Todos os municípios de médio e grande porte vêm, há mais de uma década, apresentando crescimento de áreas impermeabilizadas e buscando alternativas para driblá-lo, uma vez que as conseqüências são desastrosas em todos os lugares.
O tempo exigiu mudanças nos conceitos de planejamento, que hoje tem preocupação racional e constante com resultados de longo prazo.