“Sobrevivendo aos temporais, esta paixão ainda me guiaâ€. E eu acrescentaria à canção de Fafá de Belém que, sobrevivendo ao tempo, esta prazerosa tarefa de educar continua me guiando.
E é por essa razão que fico perplexa quando alguma escola, seja ela pública ou particular, transforma-se “numa zona de ninguémâ€, lugar onde cada um pode fazer uma experiência metodológica, um teste de ensino, sem que haja por parte dos responsáveis educacionais, um delineamento de seus propósitos, diretrizes a serem seguidas, ou seja, um projeto pedagógico para que realmente a escola possa cumprir sua função primordial que é ensinar.
E é em nome desse projeto que se deve conhecer as tendência pedagógicas, as teorias do conhecimento (epistemologia), as filosofias de educação, as reais necessidades de seu alunado para o exercício pleno de sua cidadania e a partir dai estabelecer que tipo de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores se quer formar nas novas gerações. Didaticamente, a atividade escolar pode variar sua prática educacional, pelo menos sob três enfoques: o tradicional, o renovado tecnicista e o sócio-político. O que não deve acontecer é a escola ficar à deriva e servir de palco de experiências individuais, numa pedagogia do lassez-faire, sem rumo, inexistindo um orientador, um norteador para traçar e corrigir o caminho, dando assim, uma direção pedagógica, filosófica, metodológica para a equipe responsável pela educação da clientela escolar.
Como escreveu Paulo Freire, ainda bem que existem professores com qualidades extraordinárias como bom senso, morosidade, tolerância, segurança, capacidade de decisão, parcimônia verbal e sobretudo a coragem de lutar ao lado da coragem de amar, que caminham sozinhos, apesar dos descaminhos, porque têm competência técnica e compromisso político.
Pensar a escola como uma empresa cujo único objetivo é formar mão-de-obra para o mercado de trabalho, reduzindo a função social da escola é emprobrecê-la, é delegar a ela uma tarefa meramente técnica, sem atingir sua finalidade essencial que é formar o educando como homem e cidadão.
(Leda Fernandes Michellão - RG. 4.860.757)