O Corpo de Bombeiros desencadeia, anualmente, a Operação Mata-Fogo de junho a outubro, época de maior incidência de queimadas em terrenos baldios na área urbana de Bauru e margens de estradas. No entanto, neste ano, provavelmente por causa da estiagem prolongada - a chuva acumulada neste mês soma pouco mais de dez milímetros - o número de chamadas para combate a incêndios dessa natureza já aumentou consideravelmente. Só neste mês, os bombeiros atenderam 27 ocorrências, contra oito em janeiro e fevereiro.
A antecipação das queimadas, que é atípica segundo o capitão Jovelino Barbosa, comandante do Corpo de Bombeiros de Bauru, também já reflete na saúde das pessoas, principalmente das crianças e de quem tem problemas respiratórios. Na semana passada, 68% das crianças encaminhadas ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI) apresentavam algum tipo de doença respiratória, segundo o médico Felinto dos Santos Neto, diretor da unidade. â€œÉ o dobro das doenças dessa natureza em comparação com outras épocas’, diz.
No ano passado, o número de pedidos de combate a incêndio em terrenos baldios em abril foi bem menor, segundo o tenente Miguel Ângelo Minozzi, do Corpo de Bombeiros. “Está ocorrendo uma antecipação do período de queimadas. A maioria dos casos é de fogo em terreno baldio. Ao invés de capinar o terreno, muitas pessoas usam o fogo para fazer a limpeza. Além de colocar em risco imóveis vizinhos, a queimada causa problema de saúde por causa da fumaça e do cheiroâ€, ressalta.
Tenente Minozzi explica que os bombeiros fazem o combate a incêndio em terreno baldio, mas a prioridade sempre é para fogo em imóveis. “Se houver fogo em uma casa e em um terreno ao mesmo tempo, vamos atender o incêndio no imóvelâ€, frisa. Além disso, lembra, a prática é proibida por lei municipal. “Há casos de incêndio que vão parar na políciaâ€, comenta.
Morador da Vila Rocha, região na qual na semana passada foram registradas duas grandes queimadas, Wolmier Marques Ferreira Júnior, conta que a fumaça e a fuligem estão causando problemas de saúde. “Colocaram fogo em dois terrenos em frente o condomínio que moro (Residencial Manoel Lopes). Um deles, um pasto, ficou dois dias queimando. A fuligem da queimada entrou pela casa e sujou tudo, até a roupa no varal. Mas o pior é a fumaça e o cheiro de queimado. Eu, minha esposa e meu filho de 4 anos somos alérgicos e já precisamos recorrer a remédiosâ€, diz.
Orientações médicas
O impacto das doenças respiratórias, que surgem com mais intensidade em épocas de estiagem, quando aumenta a quantidade de partículas de poeira e fumaça suspensas no ar, pode ser reduzido com uma medida simples. O médico Felinto dos Santos Neto recomenda colocar uma toalha molhada ou uma vasilha com água no quarto de dormir, para aumentar a umidade do ar.
Mas o médico faz uma ressalva: a umidade excessiva é prejudicial a quem tem alergia a ácaro, já que ajuda no desenvolvimento dessas pequenas criaturas. Nesses casos, o ideal é deixar a vasilha com água no quarto algumas horas e retirá-la no momento de dormir.
Ainda como prevenção, Felinto recomenda uma boa alimentação e hidratação constante. “As pessoas devem tomar muita água e usar um soro fisiológico duas ou três vezes ao dia para fazer a limpeza das narinas. O soro funciona como um filtro, umedece as narinas.â€, explica. Outra dica para evitar problemas respiratórios é abrir as janelas das casas pela manhã, quando o ar está mais puro, e fechá-las à tarde.
Porém, se os problemas respiratórias persistirem, deve-se procurar um médico. Os casos mais comuns nos últimos dias no Pronto-Atendimento Infantil (PAI), segundo Felinto, têm sido de gripes que não saram. “Há casos de crianças que estão com gripe há dez dias. As gripe estão demorando para sararâ€, frisa.
‘Seca’ já dura quase dois meses
Março foi um mês de pouca chuva em Bauru, situação que está repetindo-se neste mês. De acordo com a medição feita pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a chuva acumulada em março foi de cerca de 20 milímetros e neste mês é de pouco mais de dez milímetros.
A quantidade de chuva é pequena, se comparada à média histórica, mas ainda não é totalmente atípica. Em abril do ano passado, de acordo com o IPMet, choveu 15 milímetros em Bauru. No entanto, no mês anterior, choveu 120 milímetros, quantidade próxima da média histórica, que é de 158 milímetros para março e 120 milímetros para abril.
Em 2000, os meses de março e abril também foram de pouca chuva. Em março, a precipitação somou 76 milímetros e em abril somente dez milímetros. A tendência do tempo, até sexta-feira, é de sol, sem chuvas, e temperaturas elevadas. Hoje, a previsão do IPMet é de temperatura máxima entre 31 graus e 33 graus. No ano passado, a temperatura média máxima em abril foi de 30 graus.