Desde que o mundo da música abandonou a sala de concerto e ganhou agilidade, primeiro com a invenção dos meios de reprodução magnéticos e depois dos eletrônicos, cada geração tem a sua música e seus costumes.
Se isto pode ser tomado como um mero modismo, por outro lado há muitas pistas sobre o que pensam os jovens - e aqueles que se mantêm abertos ao novo - naquilo que eles consomem.
De que modo vivem as pessoas que nasceram no limiar do final do milênio? Que esperança elas têm do futuro? O que pensam sobre sexo e amor? Em que velocidade vivem?
Estas são perguntas que o Skol Beats e seu público de 40 mil pessoas não respondem absolutamente, mas que emergem em meio ao caos da celebração em massa.
Pós-hippies, pós-punks, pós-yuppies. O que vem depois do pós. O nada? Quanta espera por nada. Se existe algo acontecendo na história do mundo, esta coisa está acontecendo sempre agora, no presente. Isto, o hedonismo raver sabe e pode ensinar para qualquer um que aceite o desafio de dançar até o amanhecer.
Comecei a gostar de música eletrônica em Londres, a capital da cena. Para o londrino dançar faz parte da vida. É como o costume do brasileiro de beber uma cerveja com os amigos no bar.
Confesso que em uma fase mais roqueira já tive preconceito contra o gênero. Mas, meus amigos, não existe coisa mais “rocknroll†que dançar de meia-noite até as 9 da manhã!
Estava na tenda Gatecrasher dançando ao som de John “00†Fleming quando o sol avisou que o tempo estava passando. Ninguém ligou. Os ravers desafiam o tempo, os beats substituem os ponteiros.
Nesta celebração ritual, os deuses são os DJs. O ritmo é ditado por eles. Quem aceita, responde com o corpo, dançando e integrando-se ao som e aos outros que ali estão.