Moradores das chácaras vizinhas do setor metalúrgico da Acumuladores Ajax aguardam o resultado do laudo do solo apreensivos. Eles temem ter que mudar de suas casas. O laudo será feito pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que interditou a unidade, localizada na rodovia Bauru/Jaú, por detectar partículas de chumbo no ar, solo e água.
Desde a orientação dada pela Secretaria Municipal de Saúde, para suspender o consumo de ovos de aves criadas nas propriedades rurais, leite das vacas soltas no pasto e de algumas verduras, a vida dos moradores mudou: estão comprando alimentos que até então produziam.
O caseiro Reginaldo dos Santos Sales estima que está gastando cerca de R$ 150,00 a mais por mês agora que precisa comprar leite, ovos, verduras, legumes e frutas. “Molho as plantas da horta, alimento as aves, tiro o leite da cabra, mas não consumimos nada. Estamos aguardando o laudo do solo e novos examesâ€, conta.
Com dois filhos pequenos - de 9 e 6 anos -, Sales afirma que o leite é o produto que mais pesa na conta do supermercado. “As crianças tomam dois litros por dia. Comprei uma caixa fechada, que já acabou. Agora, estou comprando de litro porque o dinheiro vai emboraâ€, frisa. Ele e a mulher ganham, juntos, cerca de R$ 600,00 por mês.
Além do gasto maior, o caseiro receia perder o emprego. “A gente tem medo porque, dependendo do resultado do laudo, teremos que mudar daquiâ€, diz. Outro caseiro vizinho da Ajax, Antônio Peres, também diz que está gastando mais para comprar leite, ovos e verduras. “Tive que pedir vale neste mês porque o dinheiro não deuâ€, afirma
A proprietária de uma das chácaras, Elisabeth Bighetti, afirma que independente do resultado do laudo do solo entrará na Justiça com pedido de indenização. Além do aumento da despesa, já que não consome mais nada do que é produzido na propriedade, ela conta que está pagando exames médicos para seus dois filhos pequenos. “Além da saúde das crianças, a nossa preocupação é se teremos que mudar daquiâ€, diz.
Paulo Neto, diretor de marketing da Ajax, informa que a empresa está aguardando a realização de novos laudos de alimentos das chácaras por parte da Secretaria de Saúde para depois manifestar-se sobre o caso. A empresa questiona critérios de coleta das amostras e pediu novas análises. Cinco dos oito itens analisados não apresentaram alteração para o chumbo.
CPI da contaminação
O deputado estadual Wagner Lino (PT) defende a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) das áreas contaminadas do Estado de São Paulo. Ele decidiu pedir ampliar a investigação após saber que em Bauru 76 crianças estão com alta concentração de chumbo e em Vila Carioca (Capital) 30 mil pessoas podem ter sido afetadas por substâncias tóxicas.
Ele protocolou o pedido de CPI em agosto do ano passado, após a divulgação da contaminação no residencial Barão de Mauá (na Grande São Paulo). Ele pede a apuração das empresas causadoras da poluição e a atuação da Cetesb, que tem a função de monitorar atividades poluidoras para que não haja prejuízo ao meio ambiente e à população.