10 de julho de 2026
Geral

Cetesb lacra uma fábrica de baterias clandestina

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Quase três meses após o setor metalúrgico da Acumuladores Ajax ter sido interditado devido à suspeita de causar poluição por chumbo, outra fábrica de baterias de Bauru, uma pequena empresa localizada no Parque Paulista, foi notificada pela Agência Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O órgão determinou a suspensão das atividades da empresa, que estava funcionando sem licença ambiental, sob pena de multa de 100 Ufesps (R$ 1.052,00).

Rogério Chini, gerente da Agência Ambiental de Bauru, explica que se trata de uma microempresa, que produzia um número limitado de baterias. â€œÉ uma fábrica pequena, mas é clandestina porque não tem licença ambiental”, diz. Benedito Machado Campos, 51 anos, dono da microempresa, confirma que não tem autorização ambiental, mas diz que faz apenas a montagem de baterias.

Campos afirma que não há risco de poluição por chumbo na montagem de baterias. “Compramos as placas de chumbo já prontas. Aqui só montamos e vendemos baterias. Não fazemos fundição do chumbo, que é quando há risco da contaminação. Os funcionários usam equipamentos para manusear as placas”, garante o empresário.

O gerente da Cetesb explica que o fiscal retornará na empresa nos próximos dias para verificar se as atividades foram suspensas. Apesar da alegação de Campos, Chini frisa que o manuseio do chumbo oferece risco sim se não forem adotados procedimentos de segurança e alerta que qualquer empresa precisa ter licença ambiental.

“Qualquer ramo de atividade industrial precisa de licença da Cetesb por dois motivos. Primeiro porque pode oferecer risco à saúde pública e, segundo porque pode incomodar. Uma empresa de torrefação de café, por exemplo, pode não oferecer risco , mas o cheiro incomoda os vizinhos”, conta.

A dona de casa Lucimara Costa Benho, que mora a pouco mais de uma quadra da empresa de baterias, não sabia da atividade no prédio perto de sua casa. “Nem sabia que tinha fábrica de baterias aqui perto. Nunca senti cheiro ou barulho estranho”, diz. Outra vizinha da empresa, a cozinheira Adriana Fagundes Macedo Barbosa, também desconhecia a atividade da empresa.

Sem licença ambiental, para a Cetesb, a empresa está irregular e poderá ser multada e lacrada se não suspender as atividades. Campos diz que é muito difícil obter a licença ambiental porque o órgão exige a instalação de filtros caros. “Para gente, que tem um pequeno negócio, é impossível adequar-se”, ressalta.

Sem perspectivas de uma solução, o empresário acredita que terá que dispensar os quatro funcionários. â€œÉ uma situação muito difícil. Vivemos de montar e vender baterias. Se não podemos montar, vamos ter que parar e demitir os empregados. Eu, com 51 anos e que sempre trabalhei com isso, não sei por onde começar com essa situação de desemprego”, lamenta.

A microempresa, que fica na altura da quadra 14 da avenida Coronel Ivon César Pimentel, produzia cerca de 500 baterias por mês, que eram vendidas a autoelétricas de Bauru e região, segundo Campos. Ele diz que o lucro era de cerca de R$ 10,00 por unidade, mas não precisou a receita mensal da empresa.

Campos conta que trabalhou em duas grandes fábricas de baterias de Bauru e decidiu investir em negócio próprio há cerca de seis anos. Ele estima que gastou cerca de R$ 24 mil na compra de máquinas seladoras e esteiras de montagem.