11 de julho de 2026
Cultura

Edson Celulari encena 'Fim de Jogo' no palco do Municipal hoje

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

O ator Edson Celulari havia dito que, enquanto Bauru não tivesse seu Teatro Municipal, ele não traria nenhum projeto seu para cá. O Teatro foi erguido há dois anos e Celulari finalmente mostra seu trabalho num palco da cidade onde nasceu.

Juntamente com o ator e parceiro na produção Cacá Carvalho, além de Malu Pessin e Lafayette Galvão, Celulari encena “Fim do Jogo”, do cultuado autor irlandês Samuel Beckett. E se a turnê começou em Belém (PA), terra natal de Cacá, nada mais justo que ela se encerre em Bauru.

Serão três sessões, entre hoje e domingo. E quem tiver o privilégio de assistir a mais de uma delas, presenciará um curioso jogo de cena entre Celulari e Cacá Carvalho.

É que eles invertem os papéis que vivem na peça. Numa noite, Celulari encarna o submisso criado Clóvis e Cacá, o velho cego Hamm. Na sessão seguinte, os dois trocam de personagens.

A brincadeira acabou servindo como uma experiência bastante interessante para os atores. A troca constante fez com que os dois acabassem conhecendo a fundo o personagem do outro, o que possibilita maior liberdade de interpretação e uma boa dose de improviso.

“Nós começamos a ensaiar assim sem saber o que ia acontecer. Até que nosso diretor, Francisco Medeiros, propôs que fizéssemos também no palco”, disse Celulari ontem, em entrevista coletiva.

“Isso é muito difícil nesse espetáculo, porque os personagens têm uma espécie de código de dramaturgia, com perguntas e respostas muito rápidas, é muito ágil. Às vezes, a gente fica atrapalhado com o próprio texto. Isso nos provoca risos internos que a platéia não participa muito, mas que é uma delícia”, acrescenta.

“Fim do Jogo”, escrito em 1965, mostra a importância da conservação dos valores e remete a uma reflexão sobre a vida. Os personagens estão confinados e são sobreviventes de difíceis trajetórias.

Para eles, a solução é viver à espera da obscura chegada de alguém. Mas, apesar disso, continuam buscando significados para a vida.

O texto, traduzido por Millôr Fernandes, mostra a situação limite vivida pelo velho Hamm, cego e preso a uma cadeira de rodas, e o submisso criado Clóvis, ambos em uma relação sadomasoquista de interdependência.

Há ainda os personagens Nagg, encenado por Lafayette Galvão, e Nell, interpretada por Malu Pessin. Eles são avós de Hamm e vivem em latas de lixo, recebendo comida somente para sobreviver.

Passando longe de um drama maçante, o espetáculo apresenta muitas pitadas de humor, já que Celulari e Carvalho valorizam alguns aspectos da comédia.

O cenário tem cores fortes que contrastam com as ruínas das paredes e do tom cinza-chumbo que vai além delas. O figurino é colorido e remete à pantomima clownesca. Ambos recebem a assinatura de Márcio Medina.

Serviço

“Fim do Jogo”, de Samuel Beckett, com Edson Celulari, Cacá Carvalho, Lafayette Galvão e Malu Pessin. Direção: Francisco Medeiros. Recomendação: 10 anos. Duração: 90 minutos. Hoje e amanhã, 21h e domingo, 20h30, no Teatro Municipal de Bauru. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (estudantes). Realização: Abapuru Produção Cultural. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235 1312.