09 de julho de 2026
Saúde

Prevenção na infância evita cirurgia

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

O professor de ortodontia da Universidade do Sagrado Coração de Jesus (USC) e da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP), Arnaldo Pinzan, recomenda que, a partir dos três anos tenha início a ortodontia preventiva, ou seja, o tratamento que irá prevenir o mau crescimento dos ossos e dos dentes.

De acordo com ele, fazendo esse trabalho, evita-se partir para a ortodontia corretiva, que é indicada a partir dos 12 anos. Entre a ortodontia preventiva e a corretiva, há a interceptora, que pára um crescimento incorreto e direciona para o lugar ideal.

Pinzan explica que antes só se aplicava a ortodontia corretiva, depois que os dentes permanentes já estavam posicionados. “Hoje a ortodontia preventiva e interceptora é ensinada inclusive nos cursos de odontopediatria. O clínico geral recebe essa informação também”, afirma.

A corretiva, de acordo com ele, é exclusividade do ortodontista especialista, porque demanda um curso de dois ou três anos. A especialidade também é ensinada no curso de fonoaudiologia, porque está ligada à função da fala, deglutição, entre outras.

O ortodontista, normalmente, inicia o tratamento com condutas mais simples, como a manutenção de espaços na eventual perda prematura de dentes ou corrigindo até casos mais complexos, como os tratamentos ortodônticos associados ao aumento ou diminuição cirúrgica do maxilar.

Pinzan lembra que qualquer tipo de tratamento realizado, com o tempo, sofre alteração e volta um pouco. â€œÉ como se a pessoa fizesse uma cirurgia plástica, sempre volta um pouco.”

Tipos de aparelhos

Os aparelhos podem ser divididos em dois grupos: o fixo e o removível. O primeiro é unido aos dentes através de uma substância ou um tipo de cimento. É composto por bráquetes (metálicos, plásticos ou cerâmicos), tubos e anéis, que suportam o arco metálico responsável pela movimentação dentária. Permite maior movimentação dos dentes e independe da colaboração do paciente.

Já os aparelhos removíveis são encaixados na boca. Podem ser retirados pelo paciente ou pelo ortodontista, e dependem da colaboração do paciente. Podem ser ortodônticos, os quais realizam pequenas movimentações dentárias, ou ortopédicos, utilizados nas correções de alterações esqueléticas (ósseas).

O professor explica que na ortodontia corretiva é utilizado o aparelho fixo, já na preventiva e na interceptadora, tanto o fixo quanto o removível podem ser usados. A decisão de qual aparelho será utilizado vai depender de uma conversa entre o profissional, o paciente e os pais, no caso de crianças e adolescentes. “Quando a criança quer colaborar com o tratamento, podemos utilizar o removível porque ela vai usar conforme as recomendações, caso contrário, deveremos optar pelo fixo”, detalha.

Também se faz combinações de aparelhos. Pode acontecer casos em que são necessários um aparelho fixo e um outro removível ao mesmo tempo.

De acordo com Pinzan, há aparelhos esteticamente interessantes, como os de porcelana e os de plástico. Esses se confundem com a cor dos dentes e disfarçam bem.

Ele conta que já está no mercado uma nova tecnologia chamada “Invisaline”, mas ainda é muito cara. “O curso de formação para utilizar essa técnica custa US$ 4,5 mil para o profissional”, diz. Por esse motivo, ainda não está sendo muito utilizada no Brasil.

O professor explica que os aparelhos podem ser utilizados nos dentes de leite, sem nenhum problema. Ele diz que o tratamento, em relação à dor, varia de paciente para paciente. Alguns, conta Pinzan, são mais sensíveis e sofrem um pouco mais de pressão na boca, mas a dor não é uma característica do uso de aparelho, a pressão sim. “Se tiver dor, tem algo errado.”

Ele alerta, ainda, que o uso desses aparelhos podem machucar um pouco a gengiva, a língua e a bochecha. Para evitar esse desconforto, os aparelhos estão sendo desenhados com os cantos mais arredondados. Além disso, há uma cera que é distribuída pelo dentista para que a pessoa coloque no local onde há algum incômodo. O paciente também pode desenvolver algum tipo de alergia, tendo que trocar o aparelho por outro material como a cerâmica, por exemplo.

Um tratamento corretivo leva, em média, dois anos. O tempo, na verdade, explica o professor, vai depender da quantidade de movimentação necessária. Pode tardar um pouco mais, ou em alguns casos, tratar em apenas um ano.

Pinzan alerta para a alimentação durante o tratamento. A criança recebe orientação para não ingerir alimentos duros, como bala, chiclete, pipoca e amendoim. Já maçã e cenoura podem ser ingeridas em pedaços menores ou batidas no liqüidificador. “Tem que atentar para a fase de crescimento da criança, então ela deve ter uma alimentação saudável, por isso é importante o acompanhamento de uma nutricionista”, explica.

Higiene

A higiene, de acordo com Pinzan, é algo que deve ser levado como uma parte muito importante do tratamento. Os aparelhos restringem a capacidade de higienização normal que o paciente faz, então é preciso mais dedicação.

O objetivo é que, no final do tratamento, os dentes não fiquem só bonitos na posição ideal, mas que também não tenham cáries ou manchas, por exemplo. Fazendo uma higienização correta, o paciente não terá problemas.

É preciso escovar os dentes depois de qualquer tipo de refeição, mesmo as pequenas. O dentista pode fornecer instrumentos que auxiliam na hora de passar o fio dental, por exemplo, e outros que são capazes de limpar onde a escova normal não chega.

Pinzan conta que o ortodontista também cuida da higienização. “Em cada sessão que o paciente vai ao seu dentista, o profissional deve tirar o arco, passar o fio dental, fazer uma raspagem e limpar bem. É a melhor chance para essa limpeza.” O paciente, segundo Pinzan, normalmente, visita o ortodontista de 20 em 20 dias para a manutenção.

É importante ressaltar que alguns aparelhos atrapalham a fala. Há casos que necessitam do acompanhamento de uma fonoaudióloga para que o paciente não se habitue a falar de maneira errada.