09 de julho de 2026
Saúde

Aparelho corrige imperfeições em adultos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

Os adultos estão cada vez mais buscando tratar os dentes, seja apenas pela estética ou por algum motivo de saúde. Mas nos dois casos, de acordo com especialistas, a incidência de procura por um ortodontista por parte de pessoas com a dentição já formada vem aumentando a cada ano.

Os pacientes que possuem desajustes na posição dos dentes ou no tamanho dos ossos da face, com conseqüente desarmonia muscular, devem ser submetidos ao tratamento ortodôntico, mesmo quando em idade adulta.

O descuido com a oclusão pode resultar em danos às estruturas de suporte dental (gengiva e osso), dores ou ruídos na articulação e até mesmo na perda de dentes.

Vale lembrar que ano a ano cresce a expectativa de vida do brasileiro e, visto que todos esses problemas são agravados com o aumento da idade, é necessário corrigi-los o quanto antes para garantir uma velhice saudável.

Eliane Cristina Lopes Garcia, 31 anos, se submeteu a um tratamento ortodôntico há um ano. Ela salienta que procurou o dentista, num primeiro momento em busca de uma estética perfeita, mas feita a avaliação, a aluna de especialização da FOB/USP, Raquel Eichemberger Cereser Silva, detectou o problema: “Eliane tem estalos na ATM, possui uma má-oclusão de classe 2. O caso dela é cirúrgico e nós estamos fazendo uma compensação dentária, a partir das inclinações dos dentes em que vamos corrigir o problema”, explica.

A dentista diz ainda que o caso de Eliane é comum no adulto que não tratou a má-oclusão quando era jovem. “Uma má-oclusão não se autocorrige, ela continua até o tratamento”, afirma.

Eliane teve uma má-oclusão quando era jovem e não tratou. Hoje, ela tem mais tempo e condições e resolveu procurar um profissional que solucionasse o problema.

Raquel comenta que as pessoas, quando procuram um ortodontista, estão mais preocupadas com a estética. “Infelizmente, elas dão essa prioridade e a saúde deveria vir antes, porque a posição dos dentes no lugar correto evita uma série de problemas”, conta.

Eliane está em tratamento há um ano e afirma que já percebe um resultado bastante positivo.

O processo de tratamento no adulto é parecido com o do adolescente, com a observação que, nos adultos, as correções são muito menos abrangentes que nos jovens.

Filho em primeiro lugar

De acordo com o chefe do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva da FOB/USP, José Fernando Castanha Henriques, é mais comum a existência de pacientes jovens. Ele explica que isso ocorre porque os pais estão mais preocupados com os filhos do que com eles mesmos. “Isso é uma realidade que está mudando aos poucos. Os adultos também se preocupam, mas se tiver que optar entre o filho e o pai, normalmente, se trata primeiro o filho”, diz.

O especialista explica que a fase de crescimento é a melhor para se aplicar a ortodontia preventiva e interceptadora. Isso porque se aproveita o crescimento para colocar os dentes no lugar mais facilmente e dar condições para que os ossos cresçam saudáveis e no lugar correto. “Nós podemos interceptar um problema que está indo para o caminho errado e levar ao caminho correto”, afirma.

Henriques explica que, no adulto, não há o crescimento, portanto o tratamento é mais radical. “Ou temos que extrair alguns dentes, ou fazer cirurgia ortognática, porque o paciente não tem mais crescimento, então para posicionar os ossos necessitamos da cirurgia”, salienta.

O dentista lembra que os pacientes podem ser tratados em qualquer idade, mas há uma condição que é a saúde periodontal, ou seja, um paciente com problemas gengivais ou com os dentes cariados deve primeiro tratar deles para depois então corrigir a posição dos ossos e dentes. “A ortodontia, normalmente, é o último procedimento de odontologia. Isso porque o paciente tem que ter uma saúde bucal boa para poder usar o aparelho”, diz.

O aparelho, de acordo com Henriques, é um corpo estranho, então, se o paciente tiver outros problemas além desse corpo estranho, ele terá dor e inflamação gengival. “O aparelho nunca deve ser colocado em dentes ou gengivas que não estão saudáveis.”

Nada a desejar

Até há alguns anos, os aparelhos eram todos importados. Isso explica o fato do alto valor cobrado para se fazer um tratamento ortodôntico. Atualmente, o Brasil fabrica todos os tipos de aparelhos. Isso facilitou o acesso das pessoas ao tratamento, aumentando a procura pelos especialistas em ortodontia. Mesmo assim, ainda não é um tratamento muito barato. Os especialistas, normalmente, viajam para fazer cursos no Exterior aprimorando seus conhecimentos.

Henriques explica que o material utilizado está muito evoluído e continuam surgindo novas técnicas. “Além disso, há várias maneiras de se pagar o aparelho, favorecendo o tratamento”, afirma.

Ele diz que há aparelhos brasileiros de boa qualidade, mas muita gente ainda é contra o material fabricado no Brasil. “Muitas coisas temos que rejeitar, mesmo, mas não só pela qualidade. É que o preço está muito parecido com o importado, então podemos optar por aquele que tem uma tecnologia mais avançada”.

O especialista disse ainda, que o profissional brasileiro é um dos mais hábeis do mundo inteiro. “Ele consegue, com um material não tão sofisticado, fazer tratamentos maravilhosos pela habilidade, enquanto profissionais de outros países precisam da tecnologia”, salienta.

O professor, que leciona aulas também para estrangeiros e participa sempre de congressos no Exterior, observa que o brasileiro vem se destacando a tal ponto que os maiores congressos mundiais estão sendo traduzidos em portu-guês. “São 40 mil ortodontistas do mundo inteiro e, entre os quatro idiomas que é traduzido, está o português. Isso para o Brasil é maravilhoso”, diz.

No ano passado, no congresso realizado no Canadá, apenas Bauru apresentou 22 trabalhos científicos nessa área. Para este ano, em Filadélfia, serão apresentados 18 trabalhos que se originam de Bauru. “Representamos muito lá fora. A ortodontia no Brasil está comparada aos maiores centros de ortodontia. A nossa ortodontia não fica devendo nada para as melhores do mundo”, afirma Henriques.

Os melhores do mundo são os Estados Unidos, algumas faculdades do Japão e Canadá. Henriques enfatiza que a FOB/USP é muito considerada no Exterior. “Quando enviamos nossos alunos de pós-graduação para fora, eles são aceitos com bastante facilidade para seguirem seus estudos.”

Custo do tratamento

Entrada - de R$ 900,00 a R$ 1.200,00 (pode ser parcelada).

Manutenção - de R$ 100,00 a R$ 200,00 ao mês, enquanto durar o tratamento.