Agudos - O Programa foi criado pelo Governo Federal para erradicar o trabalho infantil, mas as atividades desenvolvidas acabam ganhando a cara da cultura local, nos projetos complementares desenvolvidos por cada cidade em particular.
No caso de Agudos as particularidades estão sendo impressas pelos próprios profissionais envolvidos no trabalho que passaram de simples professores a formadores de cultura e promotores de arte. É o caso do coreógrafo, ator e instrutor de educação física Everson Richard Debortolli, o Tinho, que está resgatando junto às crianças do Peti a diversidade e fascínio da arte circense.
Com a aprovação e apoio da Diretoria de Promoção Social da Prefeitura, o programa ganhou um circo especialmente instalado no local, com direito à arena, cama elástica, trapézio e arame. Tudo foi montado para chegar o mais próximo possível de um ambiente de circo. Das 200 crianças, entre meninos e meninas, de 7 a 15 anos, todos fazem fila e não vêem a hora de participar das aulas.
Segundo Tinho, as crianças se identificam muito com as atividades e têm ali a oportunidade de se sentirem livres, ao mesmo tempo em que aprendem noções de espaço, técnicas de equilíbrio e expressão corporal e se divertem fazendo a “vitrine vivaâ€, brincando na cama elástica e andando sobre o arame. Além da escola circense, as crianças também participam de aulas de dança e coreografias.
Outro profissional contratado pela Prefeitura para trabalhar no Peti é o esportista e ex-jogador de futebol, Rubens José Venturini (Rubinho).
Com longa experiência no setor, Rubinho é professor das escolinhas municipais e muito mais que desenvolver atividades físicas, ele está formando atletas e quem sabe futuros craques. Com a mesma animação e entusiasmo com que participam das aulas de circo, as crianças se lançam no gramado e jogam com garra, correndo a caminho do gol.
Com pouco mais de dois meses de atividades, o Peti de Agudos já ganhou vida própria. Mesmo com a maior parte dos recursos (R$ 9 mil) vindo do Governo Federal, o sucesso do projeto, segundo Ana Maria Caputti, diretora da Promoção Social da Prefeitura, se deve ao apoio e aos investimentos da Administração Municipal que contratou profissionais competentes para atender as crianças, está custeando o transporte e repassando um valor mensal de R$ 3 mil reais. De acordo com Ana Caputti, há cidades em que o funcionamento do Peti é todo terceirizado. Em Agudos está tendo um envolvimento e comprometimento do prefeito para que o programa dê certo. “Os resultados já estão aparecendo na fisionomia das crianças. Temos ouvido as crianças contarem que estão comendo bem e mães contentes com a mudança dos filhosâ€, conta Ana Caputti.
As 98 famílias beneficiadas pelo programa, além de terem um lugar para deixar os filhos que antes realizam algum tipo de trabalho para ajudar nas despesas da casa, recebem todo mês uma quantia de R$ 25,00. Cada família pode ter até três crianças participando do Peti. A inscrição é renovada anualmente, para atender especificamente a faixa etária de 7 a 15 anos, nos casos de trabalho infantil.
As crianças atendidas no Peti participam da chamada Jornada Ampliada que caracteriza um período de atividades que incluem aulas de reforço escolar, em períodos opostos aos da escola normal. Quem estuda de manhã, fica no Peti à tarde e vice-versa.
Ônibus fazem o transporte das crianças, levando-as de casa para o programa e do programa para escola.