Pederneiras - Duas escolas municipais de Pederneiras aceitaram o desafio de utilizar um novo método na alfabetização das crianças. Com a chamada Técnica de Alfabetização de Bergson, o uso de lápis e papel é dispensado. No lugar, os alunos aprender a ler e escrever através dos movimentos do corpo.
“Com essa técnica, não é preciso que o professor deixe a maneira como ele trabalha de lado; é uma coisa a mais na metodologia que ele usa no dia a diaâ€, explica Terezinha Nachif Gandara. diretora do Departamento da Educação da Prefeitura de Pederneiras.
A técnica, desenvolvida pelo pesquisador e psicólogo Nelson Bergonso, também formado em educação física, foi apresentada aos professores de Pederneiras no início deste ano. Cerca de 30 educadores fizeram o curso.
Como experiência, ela já está sendo aplicada em duas escolas do bairro Cidade Nova: a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emei) Guilhermina Faria e a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Monsenhor Celso.
Para Terezinha, a técnica, que está sendo aplicada a crianças do jardim, da pré-escola e da 1ª série, deve servir, no futuro, de apoio à alfabetização de alunos mais velhos, que, devido à política de não-repetência, chegam a séries mais avançadas sem alfabetização adequada. “O objetivo da gente implantar esse curso foi pensando nos alunos que, por exemplo, já estão numa 2ª série e ainda não sabem escreverâ€, afirma.
Técnica
Basicamente, a Técnica de Alfabetização de Bergson funciona através de um processo de livre associação, em que as crianças, ao “desenhar†imaginariamente as letras do alfabeto com as mãos, os pés ou o quadril, passam a entender a escrita e a leitura como um processo mais natural e espontâneo do que entenderiam apenas com “rabiscos†abstratos no papel.
Na sala de Jardim 1 da professora Simone de Souza Tavares Nunes, da Emei Guilhermina Faria, as crianças parecem encarar a alfabetização como uma grande brincadeira. Os alunos, entre 3 e 4 anos, “cantam e dançam†o alfabeto no início da aula e, em seguida, Simone oferece giz a eles. Na lousa, as crianças demonstram que, além de escrever, adoram fazer isso.
“Para eles, o A, o B e o C não são letras, são música. A gente percebe que eles têm muita vontade de aprender a escreverâ€, conta a professora Simone. â€œÉ prazeroso para as crianças, porque eles não estão só aprendendo a escrever, mas brincando de aprender a escreverâ€, observa.
Os alunos de 1.ª série da Emef Monsenhor Celso, a maioria por volta de 7 anos, também aprovaram a nova técnica. O processo de alfabetização deles, que se estenderia por quase todo o ano, já está bem avançado. A aluna Carla, por exemplo, já sabe escrever palavras consideradas “difíceis†pelos professores, como “gravataâ€.
A professora Maria Helena Fernandes Batista relata que é normal haver salas heterogêneas na 1ª série, pois as crianças vêm de diferentes experiências e graus de conhecimento da pré-escola. A professora diz, no entanto, que a Técnica de Bergson permitiu às crianças atingirem um mesmo nível de alfabetização decorridos apenas três meses de aulas. “Ensinar assim é mais prazeroso, e, para os alunos, é bem mais fácil aprenderâ€, declara.