09 de julho de 2026
Bairros

Ajax: análise de solo e água orientará desocupação

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Técnicos da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) devem começar, nos próximos dias, a coletar amostras de solo, água e sedimentos no raio de um quilômetro do setor metalúrgico da Ajax, que está interditado por suspeita de poluição por chumbo.

Segundo Rogério Chini, gerente da Agência Ambiental da Cetesb de Bauru, serão de 20 a 30 pontos de coleta. Será com base nos resultados dessas análises que as secretarias Estadual e Municipal de Saúde decidirão se há ou não necessidade dos moradores desocuparem a região vizinha à Ajax.

“Agora vamos aguardar a coleta das amostras, que deve ser feita em 15 dias, e o resultados dos testes”, explica Affonso Viviani, diretor técnico substituto da Direção Regional de Saúde (DIR-10), que participou da reunião ontem na Cetesb.

Os pontos de coleta de amostras foram definidos ontem por uma equipe da Cetesb de São Paulo, em uma reunião que teve a participação de representantes das secretarias Estadual e Municipal de Saúde, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e do Instituto Ambiental Vidágua. “Os órgãos de saúde indicaram alguns pontos para coleta de amostras e as Secretaria do Meio Ambiente e a Cetesb, outros”, diz Chini.

Após a reunião, a equipe saiu a campo e fez a marcação dos pontos de coleta. A área que será analisada, no raio de um quilômetro, inclui as chácaras vizinhas à Ajax, Jardim dos Tangarás, Núcleo José Regino, Vila Tecnológica, Parque Manchester e Parque Bauru. Ontem à noite, moradores do José Regino fizeram uma reunião no centro comunitário do bairro para discutir a suspeita de contaminação por chumbo.

Também serão coletadas amostras de sedimentos na lagoa do Zoológico Municipal de Bauru e no Jardim Botânico, que ficam a mais de um quilômetro da Ajax. Luiz Pires, secretário do Meio Ambiente, conta que foram mapeados nove pontos de coleta de água em córregos e mais quatro poços. Ele espera para os próximos dias os resultados dos exames de sangue dos funcionários do zôo.

Segundo o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), membro do Vidágua, e que acompanhou a equipe da Cetesb na marcação dos pontos de coleta de amostras de solo, a análise de sedimentos do fundo de córregos é importante porque o chumbo é mais pesado que a água. “O chumbo acumula-se no fundo porque é um metal pesado, tem maior densidade que a água”, diz.

Inicialmente, as amostras de solo deverão ser coletadas a 20 centímetros de profundidade. Agostinho conta que o índice de referência adotado pela Cetesb para chumbo no solo é de 17 miligramas do metal por quilo de material. “O máximo de concentração de chumbo para existência de vida na área residencial, de acordo com a literatura, é de 350 miligramas do metal por quilo de solo”, conta.

Relembre o caso

O setor metalúrgico da Ajax, localizado na altura do km 112 da rodovia Bauru/Jaú, foi interditado no final de janeiro pela Cetesb de Bauru que detectou a presença de chumbo em análises do ar, água e solo nas proximidades da empresa.

A pedido do órgão ambiental, as secretarias Municipal e Estadual de Saúde estão coletando sangue das crianças que moram no raio de um quilômetro da Ajax.

Até agora, dos exames já analisados, 124 crianças apresentaram mais de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue - limite tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma criança, que estava com 90 microgramas de chumbo por decilitro de sangue, está internada em Botucatu para tratamento.

No sábado, um grupo de 50 das 124 crianças será atendido no Centrinho para exames. As atividades no setor metalúrgico da Ajax também estão suspensas por decisão judicial, em resposta à ação civil pública impetrada pelo Vidágua.

A Cetesb fez 28 exigências à empresa para autorizar a retomada das atividades. A assessoria de imprensa da Ajax informa que está se adequando às exigências.