O deputado Arnaldo Jardim, na seção Opinião, utiliza-se do velho argumento da fonte energética limpa e renovável para defender o subsídio estatal à produção da cana-de-açúcar. O parlamentar também se refere à cana como se esta fosse a principal fonte de riqueza do País, uma panacéia para todos nossos males.
O latifúndio e a monocultura constituem trágica herança nacional dos tempos da escravidão e do coronelismo. Assim sendo, o interior de São Paulo apresenta um verdadeiro museu em seus vários latifúndios destinados à matéria prima do álcool. Quem nunca teve a oportunidade de, na região de Ribeirão Preto, vislumbrar o infindável mar de cana que se estende por quilômetros? O anacronismo de tal situação revela-se ainda nas várias denúncias de trabalho escravo na colheita da cana, que nunca deixaram de constar nas páginas da imprensa regional.
Tais fatores ajudaria-nos a integrar o G-8, como quer o deputado, ou apenas serviria para manter nosso status de país subdesenvolvido e subserviente? Alguém consegue se lembrar de algum país que tenha se desenvolvido com a exportação de produtos primários? As respostas para tais perguntas estão diante de nossos olhos, ou nas esquinas de cada rua de nossas cidades.