10 de julho de 2026
Bairros

Suínos são fonte de renda na periferia


| Tempo de leitura: 2 min

A zona sul de Bauru, famosa por abrigar residências e condomínios de luxo, registra vários casos de pessoas que criam animais em casa. Quem só conhece a beleza da região mal consegue imaginar que famílias inteiras sobrevivem às custas de galinhas, bovinos e porcos criados clandestinamente.

O JC nos Bairros visitou um bolsão de miséria localizado próximo à avenida Comendador José da Silva Martha e constatou situações que contrariam a legislação sanitária. Questionada sobre os chiqueiros que mantém no fundo de casa, a moradora, cujo nome será preservado, deixou claro que sabe da proibição, mas alegou que a família se alimenta dos animais ou com o dinheiro obtido com a venda deles.

Ela contou à reportagem que sua casa é freqüentemente visitada por fiscais da prefeitura e que já pagou multa por criar suínos no local. Questionada sobre a higiene, a moradora não titubeia, e simplifica: “Minha mãe dá remédio para a criação, então a gente não tem medo de ficar doente”.

Além dos porcos e patos que dividem o quintal, a família ainda retira o sustento da limpeza de caixas de papelão. O material, geralmente utilizado para acondicionar alimentos perecíveis, é doado por um supermercado da região. A limpeza estaria sendo feita numa mina de água que passa no fundo do quintal.

A vizinhança, apesar de sofrer com os bichos-de-pé, moscas e fedor, prefere não reclamar aos órgãos públicos. “A gente aqui em casa tem higiene, porque pobre não tem que ser sujo. É claro que a granjinha ali em baixo incomoda, mas nós somos pobres também e eu não me sentiria bem em denunciar. Vai que eles perdem tudo e ficam sem condições de sobreviver”, ponderou um vizinho para justificar o silêncio.

Nem todo criador de animal da zona urbana, porém, é sinônimo de problema. Na lista de bons exemplos está um jardineiro que reside próximo ao ginásio de esportes da Universidade de São Paulo (USC). “Ele cria dois cavalos no fundo de casa, mas a higiene e os cuidados com os animais são impecáveis”, elogia o veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do município.

O JC nos Bairros esteve na casa do jardineiro e testemunhou um dos cavalos recebendo tratamento nos cascos. O cuidado, muitas vezes inobservado, é essencial para que o contato com o asfalto não machuque o animal. Apesar de gratificado com a declaração do veterinário, o jardineiro preferiu não conceder entrevista.