08 de julho de 2026
Mulher

Eterno fascínio

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

É quase impossível não admirar a beleza de uma jóia bem desenhada. Quando é composta de um metal nobre ou possui pedras na sua composição então, o encanto é certo e eterno. Não é de hoje que as jóias são o principal ornamento humano (e feminino) em busca do visual perfeito que alia beleza e simboliza riqueza ou poder. Conchas e sementes já eram usadas há muito tempo como adorno pessoal pelos primeiros humanos quando os gregos e os etruscos desenvolveram técnicas apuradas para modelar figuras humanas, criar brincos, colares e braceletes.

Hoje, as jóias possuem um universo particular, fechado, muitas vezes restrito a poucas pessoas por causa do valor que podem atingir. Geralmente, as grandes peças - criadas por grifes mundiais do design de jóias localizadas na Europa - são verdadeiras obras de arte que mais do que enfeitar, servem como investimento.

Segundo a empresária e membro da Associação Brasileira de Gemologia e Mineralogia, Karen Olbrich, no Brasil as jóias são vistas de uma maneira diferente da Europa. A empresária, que esteve no mês passado na maior feira de jóias e relógios do mundo, em Basel, na Suíça, acredita ainda existe um desconhecimento muito grande no País sobre como avaliar a qualidade de uma jóia. “Muitas vezes a pessoa não sabe porque uma peça é tão cara porque não compreende como ela foi feita, que material foi usado”, diz. Essa seria uma das razões para as bijuterias e as semi-jóias serem tão populares no Brasil. “Como têm uma aparência bem parecida com as jóias de verdade, as pessoas acabam optando por elas por causa do preço”, explica Olbrich. “Mas é claro que não é a mesma coisa do que possuir uma jóia real”, completa.

Na Europa, a empresária tem a impressão que o comportamento é diferente. “A jóia é vista como um objeto para uma comemoração especial, uma coisa eterna, que vai marcar uma data, uma lembrança”, diz. Por isso é mais comum, por exemplo, que um marido presenteie a esposa com uma grande jóia numa data significativa para o casal. “A tradição é maior”, explica. Por conta disso, as bijuterias no “Velho Mundo” não concorrem com as jóias reais. “Elas têm cara de bijuteria e não de jóia”, afirma Olbrich.

Para a empresária, o público brasileiro ainda pode estar preso a certos conceitos nem sempre corretos quando o assunto é joalheria por puro desconhecimento. Um exemplo é o fato de o ouro branco não ser tão bem aceito por aqui como é na Europa e nos Estados Unidos. Nesses locais, junto com as pérolas, esse metal vai ser a grande tendência nas jóias esse ano. “No Brasil, as pessoas não gostam muito do ouro branco porque acham que ele se parece com a prata”, explica Olbrich.

Detalhes

Na realidade, as jóias são tão complexas quanto são belas. Existe uma infinidade de detalhes que podem determinar a qualidade de uma peça, como a origem e a composição do metal, a legitimidade da gema - no caso de existir uma pedra preciosa - a lapidação. As pedras (leia na página seguinte) são um verdadeiro capítulo à parte quando o assunto é joalheira. A recomedação de Olbrich é que as jóias devem ser compradas de pessoas e estabelecimentos de confiança, onde quem comercializa possa dar todas as informações precisas sobre a peça. “Hoje em dia a indústria fabrica muitos elementos sintéticos que têm a mesma aparência dos reais, por isso é preciso saber de quem se compra”, recomenda.

Minha jóia favorita

Quase toda mulher possui uma jóia “de estimação”, uma peça especial, por menor que ela seja, que representa muito mais do que o valor da peça em si. “As minhas jóias favoritas são um par de brincos de pérola que ganhei do meu marido quando tive o nosso primeiro filho”, conta a dona de casa Elizete C. Oliveira. Para ela, os brincos são seu principal bem material, apesar dela não se importar em saber qual seria o valor deles. “Não sei quanto eles valeriam hoje porque não os venderia por nada”, garante. Para a estudante Ana Paula Torloni, a correntinha de ouro com um pingente do cachorrinho Snoopy (também de ouro) ganhada da mãe é a jóia preferida. “Não sou muito de ‘jóias’, mas gosto muito dessa porque foi minha mãe quem deu e é muito bonitinha”, justifica.

A aposentada Solange Guedes elege sua aliança como jóia fevorita. “Qual jóia pode ser melhor?”, questiona, admitindo que, apesar da opinião, gosta muito de jóias de todos os tipos. “Acho que toda mulher gosta de ganhar jóias. Os homens é que parece que não gostam de dar”, brinca.