Nestes últimos dias a mídia mostrou muita gente chorando, derramando lágrimas. Vi lágrimas de suposto patriotismo e de duvidoso desportismo. Vi lágrimas de crianças, jovens e adultos chorando seus mortos numa guerra genocida no Oriente Médio. Senti a humanidade inteira chorando ao ver a foto daquela linda garotinha palestina de seis anos, vítima pura e inocente dessa nefanda guerra. Independentemente da mídia, todos nós conhecemos fatos, situações e histórias banhadas de lágrimas.
Há lágrimas de alegria e de tristeza, de esperanças e de temores, de vitórias e de fracassos, de lamento e de agradecimento, de amor e de compaixão, de arrependimento e de perdão, de despedidas e de saudades, de desportismo e de patriotismo. Há lágrimas exteriores que correm pela face e lágrimas interiores que correm nas entranhas da criatura humana. As lágrimas, quando sinceras, são sempre a mais eloqüente manifestação da emoção, sentimento que enobrece e dignifica o homem e a mulher.
A história de cada um de nós desde o nascimento está marcada pelas mais diversas lágrimas, os mais diversos prantos.
Chorar é humano. Ousaria dizer que chorar é também divino. O próprio Deus chorou na pessoa de seu Filho Jesus que se fez igual a nós em tudo, exceto no pecado. Embora os Evangelhos nos relatem o Cristo chorando apenas duas vezes, certamente Ele chorou muitas vezes ao longo de sua vida terrena. Ele se fez igual a nós também nas lágrimas!
Jesus chorou o amigo Lázaro falecido, como narra-nos São João. “Onde colocastes Lázaro? perguntou Jesus. Responderam-lhe: Senhor, vem e vê! E Jesus chorou. Diziam, então, os judeus: Vede como ele o amava!†(Jo 11, 34-37). Estas foram lágrimas humanas de profundo amor e compaixão.
Cinco dias antes de sua morte, no monte das Oliveiras, olhando para Jerusalém, Jesus “chorou sobre ela, dizendo: Ah! Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz! Agora, porém, isso está escondido aos teus olhosâ€. E anunciou a destruição da cidade, que ocorreria 40 anos mais tarde, quando o general romano Tito, filho do imperador Vespasiano, a sitiou e cruelmente a dizimou, “não deixando dela pedra sobre pedra, porque não reconheceu o tempo em que foi visitada†(Lc 19, 41-44). Estas foram lágrimas do mais sincero e genuíno patriotismo.
Estou convicto de que falta aos homens de nosso tempo, sobretudo aos que detêm o poder, derramar esses dois tipos de lágrimas do pranto de Cristo. Estão faltando lágrimas de amor e de compaixão, como expressão de fraternidade e solidariedade. Estão faltando lágrimas de verdadeiro patriotismo, como preocupação desinteressada pelo bem comum material e espiritual da sociedade e como repulsa a toda forma de corrupção e ganância.
Que as lágrimas do Cristo provoquem em cada um de nós, na sinceridade e na verdade, aquelas lágrimas que possam contribuir na construção de um mundo melhor, mais humano, fraternal e feliz. (Frei Lourenço M. Papin)